O prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), disse, nesta semana, acreditar no retorno ao cargo de prefeito da cidade. Em vídeo gravado e divulgado nas redes sociais, ele se disse inocente, culpou gestores anteriores pelas supostas relações com o tráfico de drogas e demonstrou segurança em um eventual retorno à função. O afastamento dele ocorreu terça-feira (14), dois dias após sair vitorioso na eleição suplementar realizada na cidade, para preencher a vaga aberta com a cassação do antecessor, André Coutinho (Avante). Neto foi um dos alvos da operação Cítrico, desencadeada em conjunto por PF, Gaeco e CGU.
O blog checou casos de retornos de prefeitos após afastamentos decorrentes de operações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), e é possível dizer: eles são raros e, em geral, conturbados, até em episódios menos gravosos. Se formos pegar o exemplo de Cabedelo, o ex-prefeito Leto Viana foi afastado do cargo em abril de 2018 por suposto envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e uma série de outras tipificações. Ele foi preso, nunca mais retornou à função e está fora da política.
Se olharmos um pouco mais para trás, em 2017, o então prefeito de Bayeux, Berg Lima, foi preso e afastado do cargo sob a acusação de extorquir um comerciante. Filmagens monitoradas pelo Gaeco resultaram em um período de tentativa do gestor de retornar ao cargo, sem muito sucesso. Ele até conseguiu voltar, mas foi novamente afastado em 2020, quando houve eleição suplementar na cidade, vencida pela ex-prefeita Luciene de Fofinho. Berg, pelo que se pôde acompanhar desde então, nunca mais conseguiu retornar à política.
Não para por aí. Em agosto de 2018, o prefeito de Patos, Dinaldinho Wanderley, foi afastado em decorrência da operação Cidade Luz. Havia acusação de suposta fraude em contratos na cidade. Resultado: transcorreu todo o mandato sem que o político conseguisse retornar à função. Ele abandonou a política e passou a trabalhar como médico em cidades do Sertão. Nunca mais conseguiu exercer um cargo eletivo, mesmo já tendo sido prefeito e deputado estadual.
Outro caso emblemático e complicado foi o do prefeito Alecsandro Bezerra dos Santos, de Camalaú. Ele foi alvo da operação Rent a Car e afastado do cargo em junho de 2020. As suspeitas eram de um esquema de aluguel de veículos para lavar dinheiro desviado da prefeitura. Longe da função, mas não impedido eleitoralmente, o gestor conseguiu se reeleger naquele mesmo ano e retornou ao cargo em 2021, mas voltou a ser afastado pelo Tribunal de Justiça em decorrência da operação. Ele é outro que também está fora da política.
Apesar de tudo isso, é lícito imaginar que Edvaldo Neto possa vir a ter sucesso na empreitada de retorno à prefeitura. Nas declarações feitas em vídeo nesta semana, ele atribui a responsabilidade pelas supostas fraudes em licitações a um de seus antecessores, o ex-prefeito Vitor Hugo (Avante), ao alegar que os contratos são de gestões anteriores. Esse ponto é ressaltado, inclusive, na decisão que embasou a realização da operação Cítrico. O que o prefeito eleito não mencionou é que a decisão do desembargador aponta que ele teria retomado um esquema iniciado por Vitor Hugo, que havia sido suspenso por André Coutinho.
Ou seja, esta novela ainda terá muitos capítulos. Um deles dirá se Neto, de fato, conseguirá retornar ao cargo.
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