Executivo
Bolsonaro revela que chora sozinho no banheiro e que a primeira dama nunca viu
15/10/2021 09:35
Suetoni Souto Maior
Jair Bolsonaro (C) está há dois anos sem partido. Foto Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) abriu o coração nesta quinta-feira (14). Num encontro organizado por uma igreja evangélica em Brasília, ele disse que chora no banheiro, em casa. Alegou que faz isso quando precisa tomar uma decisão difícil e comparou as obrigações de agora, enquanto Chefe do Executivo, com as que tinha enquanto deputado. “Cada vez mais nós sabemos o que devemos fazer. Para onde devemos direcionar as nossas forças. Quantas vezes eu choro no banheiro em casa? Minha esposa [Michelle Bolsonaro] nunca viu. Ela acha que eu sou o machão dos machões. Em parte acho que ela tem razão até”.

O discurso do presidente ocorre em um momento de baixa aprovação enfrentada pelo governo, que tem sido pressionado pela repercussão de questões como inflação, desemprego e crescimento da miséria no país. As altas nos preços dos combustíveis e do gás de cozinha têm feito a popularidade do gestor derreter. “O que me faz agir dessa maneira? Eu não sou mais um deputado. Se ele errar um voto, pode não influenciar em nada. Um voto em 513. Mas uma decisão minha mal tomada, muita gente sofre. Mexe na bolsa, no dólar, no preço do combustível”, afirmou.

O presidente tem atuado para reforçar laços com bases evangélicas, de olho nas eleições de 2022. Auxiliares de Bolsonaro estão preocupados com as tentativas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abrir pontos de interlocução com os evangélicos. Isso em um cenário de insatisfação de líderes religiosos com a demora da confirmação de André Mendonça para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Na semana passada, Bolsonaro compareceu a um simpósio com centenas de evangélicos em Brasília. No discurso da noite desta quinta, o presidente repetiu os argumentos comumente usados por ele, como a defesa de pautas conservadoras, críticas contra medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos e questionamentos à eficácia das vacinas.

“Olha, aquele partido [PT] que esteve com o MEC [Ministério da Educação] entregue por 12 anos a uma pessoa [Fernando Haddad], que ficou para trás comigo no segundo turno. E hoje nós temos um pastor no MEC”, disse Bolsonaro, que nesse momento foi aplaudido pelo público. Ele também voltou a alegar que joga dentro das “quatro linhas da Constituição”, ressaltou a harmonia entre os Poderes, mas argumentou que o “Executivo tem que estar na frente para tomar as decisões”.

“Eu jogo dentro das quatro linhas [da Constituição], mas também não podemos aceitar que nenhuma pessoa jogue fora das mesmas. Os três Poderes são independentes e harmônicos. O Legislativo é extremamente importante para fiscalizar o Executivo. O Judiciário da mesma maneira, para dirimir os conflitos. Mas o Executivo tem que estar na frente para tomar as decisões. A gente não pode o tempo todo ser tolhido, impedido, por qualquer coisa, de prosseguir na nossa missão”.

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