O ex-presidente Jair Bolsonaro admitiu, em entrevista à Folha, publicada neste domingo (30), que discutiu com auxiliares e militares a possibilidade de uma intervenção após sua derrota nas eleições de 2022. Segundo ele, foram consideradas opções dentro da Constituição, como estado de defesa, estado de sítio e o artigo 142. “Eu conversei com as pessoas, dentro das quatro linhas, o que a gente pode fazer? Daí foi olhado lá, [estado de] sítio, [estado de] defesa, [artigo] 142, intervenção…”, afirmou.
As revelações ocorrem após o ex-presidente e mais sete ex-auxiliares virarem réus por tentativa de golpe de estado. O processo está sendo apreciado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e tem o ministro Alexandre de Moraes como relator.
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Na entrevista, apesar de admitir a discussão, Bolsonaro garantiu que as possibilidades foram rapidamente descartadas. “Na metade, no comecinho de dezembro mais ou menos”, disse ele, negando que tenha pedido apoio explícito dos comandantes militares para um golpe. “Se você quer dar golpe, troca o ministro da Defesa, troca o comandante de Força, bota um pessoal disposto a sair fora das quatro linhas. Mas isso não passou pela cabeça.”
Bolsonaro também falou sobre a investigação de fraude no seu cartão de vacina, cujo arquivamento foi pedido pela Procuradoria-Geral da República. Ele negou ter solicitado qualquer adulteração. “Eu jamais faria um pedido desse para alguém, me desmoralizaria politicamente, porque sempre fui contra a vacina”, argumentou, destacando que não havia indícios suficientes para prosseguir com a investigação.
Ao ser questionado sobre o risco de ser preso, Bolsonaro foi enfático: “É o fim da minha vida. Eu já estou com 70 anos.” O ex-presidente considera injusta qualquer possibilidade de prisão e insiste que não há provas contra ele. “Cadê meu crime? Onde eu quebrei alguma coisa? Cadê a prova de um possível golpe? A não ser discutir dispositivos constitucionais que não saíram do âmbito de palavras.”
Apesar dos processos e investigações, Bolsonaro descartou qualquer intenção de buscar asilo em outro país. “Zero, zero, zero. Eu acho que eu estou com uma cara boa aqui. Tenho 70 anos, me sinto bem. Eu quero o bem do meu país.”
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