Executivo
Aumento do IOF vira novo ponto de atrito entre PDT e governo Lula
28/05/2025 14:41

Beatriz Souto Maior

O PDT decidiu que vai votar contra o aumento do IOF proposto pelo governo Lula. A medida, que pretende levantar R$ 20 bilhões em 2025 e R$ 40 bilhões em 2026 para fechar o rombo nas contas públicas, enfrenta resistência dentro e fora da base aliada. E marca a primeira divergência pública do partido com o Planalto desde a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência.

A decisão foi anunciada pelo líder da bancada na Câmara, deputado Mário Heringer (MG), que classificou o aumento como um “despautério”. Segundo ele, a proposta penaliza pequenos negócios e agrava o endividamento das empresas. “Não vamos compactuar com isso”, afirmou.

O distanciamento entre o PDT e o governo ganhou força após a demissão de Lupi, presidente licenciado do partido, do comando da Previdência. Ele deixou o cargo em meio à crise dos descontos irregulares em aposentadorias do INSS. Desde então, a legenda declarou independência na Câmara — embora no Senado ainda mantenha alinhamento com o Planalto.

Mesmo após reunião com a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e convite para voltar às articulações da base, Heringer avisou: o PDT seguirá independente e vai comunicar previamente ao governo quando discordar de propostas. O aumento do IOF é um desses pontos.

A votação sobre o tema ainda será debatida na reunião de líderes marcada para quinta-feira (29). O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu à oposição que definirá se as propostas para barrar o aumento entrarão na pauta do plenário.

A movimentação do PDT acende um alerta no Planalto. O recado é claro: o governo terá que negociar mais — e contar menos — com antigos aliados para aprovar medidas impopulares no Congresso.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni

Palavras Chave