Executivo
Após sufocar grupo petista simpático a João, Gleisi usa redes sociais para dizer que prioridade do PT na Paraíba é Veneziano
30/04/2022 12:35
Suetoni Souto Maior
Ricardo Coutinho terá maioria dentro do partido para garantir a aliança defendida por ele. Foto: Divulgação

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), usou as redes sociais neste sábado (30) para deixar claro que a prioridade do partido, na Paraíba, é a construção da aliança com o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) para a disputa do governo. A reação ocorre dois dias depois das imagens mostrando afinamento do governador João Azevêdo (PSB), candidato à reeleição, com o ex-presidente Lula (PT). Os dois conversaram ao pé de ouvido no Encontro Nacional da sigla socialista, em Brasília, na última quinta-feira (28). O ato contínuo a essa manifestação foi a recomposição das vagas no diretório e na executiva estadual do PT.

A recomposição foi definida através de resolução aprovada pelo Diretório Nacional do PT, reunido nesta sexta-feira (29). O documento estabelece a troca de membros do Diretório e da Executiva Estadual do partido. O movimento foi feito justamente para que sejam colocadas nos colegiados pessoas simpáticas ao projeto de lançamento da candidatura do ex-governador Ricardo Coutinho (PT) para o Senado na chapa que deverá ser encabeçada por Veneziano. A composição válida até antes desta decisão tinha tudo para vetar a composição e referendar o apoio a João Azevêdo ainda no primeiro turno.

Para que o leitor entenda, o PT é cheio de tendências, que são grupos que atuam com visões distintas dentro da sigla e que definem, por maioria, o caminho a ser seguido. Esse roteiro quase nunca é conquistado sem muita discussão. Em 2020, por exemplo, o mesmo grupo formado em 2019 e que referendou o atual presidente da legenda, Jacksom Macedo, trilhou caminho distinto no pleito que escolheu o deputado Anísio Maia (hoje no PSB) para disputar a prefeitura de João Pessoa. A direção nacional, naquele momento, defendia o apoio a Ricardo e interveio na municipal, mas não conseguiu reverter o cenário.

A resolução do Diretório Nacional serviu justamente para que o grupo antagonista ao de Ricardo Coutinho seja retirado da tendência majoritária, a Construindo um Novo Brasil (CNB). Ela tem 50% dos cargos na Executiva e no Diretório do partido. Os dois definem os rumos da sigla. Só que pelo menos sete dos 23 integrantes da CNB tinham rachado com o grupo e criado uma nova tendência, a Reviravolta. Esse grupo, junto com as outras tendências (Movimento PT, Muda PT e Resistência Socialista), segundo os cálculos da ala fiel a Ricardo, poderia levar o apoio do PT para João no primeiro turno.

Por conta disso, os nomes serão substituídos para recompor a configuração vitoriosa na eleição da atual direção, em 2019. Isso dará a Ricardo Coutinho a garantia de que poderá referendar a aliança com Veneziano. O próximo embate será no Encontro de Tática Eleitoral, que vai acontecer no dia 26 de maio deste mês. “É o que acontece em todo partido que abriga Ricardo Coutinho. Ele não sabe estar em um lugar sem dar as cartas”, disse sob reserva um petista do grupo “derrotado”.

A composição com Veneziano Vital do Rêgo, no entanto, não pode ser confundida com oferta de palanque único para Lula no Estado. O ex-presidente já deu declarações de que vai conversar com João Azevêdo e com a vice-governadora Lígia Feliciano sobe os apoios. A confusão, pelo jeito, não vai acabar agora.

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