Executivo
Após se descrever como “do centrão”, Bolsonaro aponta PP como provável destino
23/07/2021 13:38
Suetoni Souto Maior
Jair Bolsonaro (C) trabalha para se viabilizar eleitoralmente para a reeleição. Foto Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apontou o PP como provável destino para a disputa das eleições do ano que vem. A sigla, ícone de um centrão antes hostilizado pelos bolsonaristas, tem ganhado espaços generosos no governo. Nesta semana, o presidente nacional do partido, Ciro Nogueira (PI), foi anunciado pelo gestor como novo ministro da Casa Civil. O único ponto fora da curva e que pode dificultar o projeto de retorno à sigla é que o capitão reformado do Exército explicou que quer ir para uma agremiação que possa controlar.

“Tentei e estou tentando um partido que eu possa chamar de meu e possa, realmente, se for disputar a Presidência, ter o domínio do partido. Está difícil, quase impossível”, afirmou Bolsonaro em uma entrevista à Rádio Grande FM, de Mato Grosso do Sul, transmitida também por uma das redes sociais do presidente. “Então, o PP passa a ser uma possibilidade de filiação nossa”, destacou, em meio às especulações de que outro provável destino dele será o DC, do eterno candidato a presidente José Maria Eymael.

Bolsonaro se aproximou ainda mais do centrão em um momento de extrema fragilidade, quando se vê ameaçado por mais de cem pedidos de impeachment e pelo avanço da CPI da Covid sobre supostos casos de corrupção envolvendo o governo. Ele tem encontrado dificuldade nas trativas para se filiar ao Patriota, que vive hoje uma guerra interna para a definição dos destinos da sigla. O presidente ainda é assombrado pela escalada da impopularidade, que contrasta com o crescimento do ex-presidente Lula (PT) nas pesquisas.

A proximidade com o senador Ciro Nogueira e com o PP foi construída à medida que Bolsonaro viu a popularidade embicar, principalmente por causa da péssima gestão do governo na pandemia. A nomeação do progressista para o governo demandará a recriação de um ministério, no caso do Trabalho e Previdência, para abrigar Onyx Lorenzoni, desalojado da Secretaria-Geral de Governo. Esta última pasta será ocupada por Luiz Eduardo Ramos, que deixou a Casa Civil para garantir a operação.

A possível ida de Bolsonaro para o PP vai gerar problemas para o partido, na Paraíba. A sigla tem construído uma aproximação com o governador João Azevêdo (Cidadania), que, por outro lado, trabalha para atrair o apoio do ex-presidente Lula para a disputa.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni

Palavras Chave