Judiciário
Apoio do PSB a Lula tem resistência em 4 Estados, mas dificilmente deixará de acontecer
24/06/2021 10:01
Suetoni Souto Maior
Ex-presidente Lula se livra de mais um processo da Lava Jato, mas ainda cabe recurso. Foto: Ricardo Stuckert

O PSB deve fazer o caminho de volta para a base petista nas eleições de 2022. Essa é a constatação simples após os movimentos feitos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ter o apoio da sigla. Ele articulou a filiação do deputado federal Marcelo Freixo (ex-Psol-RJ) à sigla socialista, assim como fez com o governador do Maranhão, Flávio Dino (ex-PCdoB). Mesmo assim, terá que vencer a resistência em quatro estados importantes (Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Espírito Santo).

A resistência nestes estados é fruto do distanciamento entre as siglas nos últimos anos. Em 2014, as agremiações romperam com a candidatura do ex-governador pernambucano Eduardo Campos (já falecido) a presidente. Quatro anos depois, a sigla liberou os estados para decidirem sobre as candidaturas a serem apoiadas. As conveniências locais ditaram o destino da sigla. Aqui na Paraíba, por exemplo, os socialistas, comandados pelo ex-governador Ricardo Coutinho, se mantiveram na base. O mesmo não ocorreu em vários estados.

Na discussão atual, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, deixa claro que o objetivo será impedir a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Se Lula estiver mais bem posicionado, o partido seguirá com ele. Se quem estiver bem for Ciro Gomes (PDT), eles irão com Ciro. A declaração, dada ao jornal O Globo, no entanto, apenas cria uma cortina de fumaça dentro de um cenário em que as siglas já trabalham juntas pontualmente com os olhos voltados para 2022. Outro ponto é que Lula lidera as pesquisas de opinião para a disputa no ano que vem.

“O único caminho possível que o PSB integrará será aquele da melhor liderança que conseguir ampliar uma frente política que derrote Bolsonaro. Se for Lula, será Lula, se for Ciro, será Ciro, se for outra pessoa, será outra pessoa. O nosso compromisso, antes de ser com pessoas, com personalidades, com partidos, é com a democracia brasileira. O que tiver melhores condições de derrotar Bolsonaro terá o nosso apoio”, disse Carlos Siqueira.

O caminho de volta para o convívio com os petistas esbarra nos interesses paroquiais de alguns estados. Em São Paulo e no Rio Grande do Sul, o partido se aproximou do PSDB, sigla que tenta se viabilizar para ser uma terceira via nas eleições do ano que vem. Em Pernambuco, o partido rompeu com o PT nas eleições para a prefeitura do Recife, vencida pelo socialista João Campos. Já no Espírito Santo, Renato Casagrande vive a incerteza sobre o futuro do senador Fabiano Contarato (Rede), que poderá ir para o PT e ser seu adversário nas eleições de 2022.

No movimento em prol da união, o ex-governador Ricardo Coutinho se encontrou nesta semana com a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffman, e com o deputado federal Paulo Teixeira (SP). O ex-gestor tenta apoios para a disputa de vaga no Senado, no ano que vem. Ele enfrenta ainda pendências judiciais no campo eleitoral, por causa da inelegibilidade decretada no ano passado. A tendência, apesar das opiniões em contrário, é que as duas siglas estejam juntas no ano que vem.

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