Executivo
Apatia da oposição fará com que a Paraíba tenha recorde negativo de candidaturas ao governo em 2022
09/11/2021 20:23
Suetoni Souto Maior
Candidatos passarão por "peneira" antes de terem o nome aprovado para disputar as eleições. Foto: Antônio Augusto/TSE

Basta uma rápida olhada no histórico das eleições, na Paraíba, para fechar questão no entendimento de que teremos, em 2022, um recorde negativo no número de candidaturas competitivas. O fenômeno foi registrado uma única outra vez: em 1998. A diferença é que naquele tempo a candidatura à reeleição de José Maranhão suprimiu a de Ronaldo Cunha Lima. Ambos eram do MDB e o primeiro teve o nome escolhido nas prévias. Restou ao grupo derrotado escalar alguém desprendido o suficiente para a derrota certa no confronto. O nome da vez foi Gilvan Freire. O caso agora se repete em relação ao governador João Azevêdo (Cidadania). Só que agora por falta de apetite da oposição.

A pouco menos de um ano das eleições para o governo do Estado, os partidos de oposição batem cabeça em relação aos nomes para a disputa. Os dois personagens que há dois anos assustavam João em uma eventual disputa pelo governo, agora posam de coadjuvantes. São os ex-prefeitos Luciano Cartaxo (PV), de João Pessoa, e Romero Rodrigues (PSD), de Campina Grande. O primeiro tem falado grosso nas críticas ao governador, com o argumento de que ele não tem o que mostrar. O segundo fez isso no passado, mas agora faz o caminho rumo à base aliada do gestor. Nenhum dos dois, vale ressaltar, demonstra apetite para a disputa.

O fato é que, na Paraíba, a oposição perdeu as condições de apresentar uma candidatura competitiva por incapacidade de criar uma estrutura mínima para o embate ou por falta de coragem mesmo. Temos visto no dia a dia poucas pessoas com disposição para trocar um mandato “certo” numa disputa proporcional pelo risco de ser derrotado em uma disputa majoritária. Este é um fenômeno dos últimos anos. Pesa para isso a falta de dinheiro para bancar a disputa ou mesmo a ausência de um padrinho forte para a entrada na corrida eleitoral.

Romero Rodrigues, por exemplo, apostou suas fichas no apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para 2022. Ouviu até do capitão da reserva do Exército uma declaração de amor. Só que as pesquisas de opinião realizadas nos últimos meses mostram que o gestor mais tira do que contribui com votos na disputa. Da mesma forma, Cartaxo fez movimentos em busca do apoio do ex-presidente Lula (PT). Só que o petista tanto poderá apoiar uma candidatura dele no ano que vem como poderá fazê-lo em relação a João Azevêdo. Não há apoio exclusivo. Pelo menos não até agora.

A política paraibana sempre foi composta pela junção de dois nomes fortes contra um. Isso pressupõe a existência de pelo menos três lideranças com capilaridade para a disputa. Esse quadro não se repete agora. Por isso, é possível que não tenhamos uma ou duas grandes candidaturas da oposição. O PSDB poderá lançar o deputado Pedro Cunha Lima para a disputa. O ministro Marcelo Queiroga poderá ser o candidato de Bolsonaro pelo partido que ele escolher se filiar. Mas tudo fica no campo das ideias.

Historicamente tivemos de cinco a sete candidatos em todas as eleições. Este número dificilmente será repetido no ano que vem.

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