Judiciário
Aliados negam trama golpista e, aparentemente, tentam blindar Bolsonaro no STF
30/05/2025 12:10

Beatriz Souto Maior

Dois dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no governo e na política foram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (30), para testemunhar em sua defesa. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), negaram qualquer participação ou conhecimento de tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.

Os depoimentos foram prestados por videoconferência e fazem parte da ação penal 2668, que investiga o núcleo central da trama golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes.

Tarcísio, ex-ministro da Infraestrutura, foi direto: “Jamais ouvi qualquer menção a golpe por parte do presidente, nem antes, nem depois da eleição”, disse. Afirmou ter visitado Bolsonaro por duas vezes no período pós-eleitoral, por amizade, e garantiu que o tema nunca foi abordado.

Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil e presidente nacional do Progressistas, deu versão semelhante. “Nunca houve qualquer conversa nesse sentido. Todas as orientações do presidente foram no sentido de garantir uma transição tranquila”, afirmou.

Ambos disseram que Bolsonaro demonstrava abatimento após a derrota, mas nunca sinalizou resistência à troca de governo. “Ficou depressivo, sem interesse por temas de governo, mas nunca tentou impedir a transição”, relatou Ciro.

A audiência também previa o depoimento de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, mas ele foi dispensado pela defesa do ex-ministro Anderson Torres. Outros ex-ministros, como Gilson Machado e Eduardo Pazuello, também foram liberados de depor.

Os depoimentos desta sexta-feira fazem parte de uma sequência iniciada no último dia 19. As oitivas devem seguir até o dia 2 de junho. O ex-presidente Bolsonaro é réu por supostamente liderar e beneficiar-se da tentativa de ruptura institucional.

Apesar do silêncio sobre o conteúdo da ação, o STF mantém o ritmo firme na apuração dos fatos. Os depoimentos seguem sob a supervisão do ministro Moraes, que proibiu gravações externas, mas autorizou a cobertura jornalística na sala da Primeira Turma.

A estratégia da defesa de Bolsonaro é clara: mostrar que não houve plano, comando ou qualquer ação direta do ex-presidente. Cabe ao Supremo decidir se os testemunhos bastam para livrá-lo de um dos processos mais graves da história recente da República.

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