Quem presenciou os afagos entre o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e o vice-governador Lucas Ribeiro, ambos do PP, na abertura das festas juninas de Patos, nesta quinta-feira (19), por certo perdeu a noção da luta de bastidores protagonizada pelos dois. Ambos se colocam como potenciais candidatos ao governo do Estado nas eleições do ano que bem. Ambos, também, nutrem o desejo de liderar a base governista. Acontece que existe apenas uma posição para as duas pretensões e um encruzilhada para os responsáveis pela escolha: enquanto Lucas é opção natural, porque estará com a caneta a partir de abril, Cícero tem maior densidade eleitoral e lidera as pesquisas.
A festa, em Patos, serviu também para lançar por terra as pretensões do presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos). O parlamentar vinha cobrando de Hugo Motta, que acumula os cargos de presidente da Câmara dos Deputados e do partido no Estado, uma postura mais firme na defesa do nome dele para a disputa do governo. De volta, recebeu respostas nada animadoras. Motta não anda disposto a receber cobranças por meio da imprensa e deixou claro, em entrevista, que vê como natural a postulação de Lucas.
A atitude joga de volta ao terreiro do forró a constatação de que restam apenas Cícero e Lucas, da base aliada, como opções para o governo. Se as redes sociais dos dois falam muito sobre o tipo de disputa travada, ambas mostram clima amistoso, com espaço dedicado ao “adversário”. Nas do prefeito de João Pessoa, Lucas é abraçado e rolou até agradecimento público recente pela solidariedade do vice-governador com a situação recente do gestor, que esteve sob fogo cruzado em Israel. Nas de Lucas, a presença de Cícero é mais discreta, mas ela existe.
A tendência agora é que os dois postulantes aproveitem as festas juninas para potencializar suas posições. Este não é um jogo de pista curta. Ainda há muita estrada até abril do ano que vem, quando o quadro estará bem definido. Até lá, a tendência é que Cícero Lucena deixe o PP, partido comandado pelo deputado Aguinaldo Ribeiro, tio de Lucas. E é bom sempre lembrar: neste jogo, assim como no filme Highlander, só poderá restar um deles na chapa majoritária do grupo. Fora disso, restará ao preterido concorrer em faixa própria ou migrar para a oposição. Todas as cartas estão na mesa.
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