Judiciário
À PF, paraibano admite administrar páginas bolsonaristas, mas nega integrar “gabinete do ódio”
08/06/2021 18:58
Suetoni Souto Maior
Tércio Arnaud confirma ter criado contas bolsonaristas nas redes sociais e mas nega que divulgue conteúdo fake. Foto: Divulgação

O assessor especial da Presidência da República, Tércio Arnaud Tomaz, admitiu em depoimento à Polícia Federal ter criado e administrado páginas bolsonaristas nas redes sociais, mas negou integrar o “gabinete do ódio”. Paraibano de Campina Grande, o auxiliar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se transformou em um dos alvos do inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga os atos antidemocráticos ocorridos no ano passado.

Sobre o “gabinete do ódio”, denunciado por ex-aliados do presidente, Tércio Arnaud negou a existência. Ele assegura que tudo não passou de “uma criação midiática”. A autoria do suposto grupo, de acordo com as acusações, seria do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente. Os depoimentos constam no inquérito cujo sigilo foi levantado pelo ministro Alexandre de Moraes. Os atos antidemocráticos foram realizados no ano passado e pregaram, entre outras coias, um golpe militar, com o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

A decisão do ministro de levantar o sigilo se deu no mesmo dia em que o MPF pediu o engavetamento da investigação. Ao ministro Alexandre de Moraes, o vice-PGR Humberto Jacques de Medeiros considerou que não há provas contra os 11 parlamentares investigados. Os autos do inquérito, no entanto, apontam condutas que, no mínimo, precisam ser investigadas de forma mais aprofundada. O Ministério Público Federal, apesar disso, não pediu nenhuma diligência adicional.

Sobre Tércio Arnaud, ele foi apontado como ponte do “gabinete do ódio” com os blogueiros bolsonaristas, a exemplo de Allan dos Santos. No depoimento à PF, ele negou. Admitiu apenas que participou de um grupo de WhatsApp criado pelo blogueiro. Os integrantes se reuniriam na casa de Santos, semanalmente, para discutir temas relacionados ao governo federal com pessoas que estão dentro do governo. Apesar de ter entrado no grupo, ele diz que “nunca participou desses eventos e que se manteve no grupo como forma de se informar de temas de interesse”.

Indagado sobre a atuação dele frente às redes sociais do Presidente da República, respondeu que auxilia quando demandado. “Ou seja, orientações sobre conteúdo a ser publicado etc”, ressaltou, explicando que a orientação era para as redes sociais privadas de Jair Bolsonaro. Ele negou que tenha a senha das redes sociais do presidente e disse que o Facebook é administrado pelo próprio Bolsonaro e que Carlos Bolsonaro administra as outras redes sociais do pai dele. Arnaud trabalha no 3º andar do Palácio do Planalto, próximo à sala do presidente.

Ele conta também como se aproximou da família Bolsonaro. Lembra que, em 2015, quando o capitão reformado do Exército se lançou como pré-candidato, ele resolveu criar um blog na rede social Facebook denominado “BOLSONARO OPRESSOR”. Depois disso, ele foi procurado pela presidente, ainda deputado federal, para trabalhar como assessor em Brasília, para atuar nas redes sociais. Depois trabalhou com o vereador Carlos Bolsonaro, na Câmara Municipal do Rio. Isso até ser nomeado assessor da Presidência da República.

Confira em anexo o depoimento do paraibano:

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