Executivo
Terrorismo em Brasília escancara necessidade de um basta em atos antidemocráticos
13/12/2022 07:49

Suetoni Souto Maior

Carros e ônibus foram destruídos durante atos terroristas em Brasília. Foto: Reprodução/Twitter

O terrorismo visto em Brasília na noite desta terça-feira (12), horas depois da diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mostra que é preciso dar um basta nos atos antidemocráticos. Carros e ônibus foram queimados, pessoas ameaçadas e houve tentativa, por parte de grupos bolsonaristas, de reeditar uma invasão do “Capitólio” à tupiniquim. Eles tentaram ocupar a sede da Polícia Federal após a prisão do indígena José Acácio Serere Xavante, responsável por manifestações que tentavam impedir a diplomação de Lula. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O ato contínuo disso foi um quebra-quebra similar aos mais tensos na época dos protestos de 2013, quando os black blocs passaram a encerrar as manifestações com muita destruição. O episódio desta segunda-feira mostrou também completa desarticulação e falta de combate efetivo por parte das forças policiais. Um cenário muito diferente do que sempre ocorreu em manifestações de caráter mais trivial na capital federal. A prisão do indígena foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, logo após o pedido da PGR.

Nas redes sociais, grupos bolsonaristas utilizaram dois discursos. Um primeiro de apoio ao “novo capitólio” e, em seguida, uma tentativa de se afastar do núcleo do problema. Alegaram que os terroristas foram infiltrados no meio deles pela “esquerda”. A justificativa para isso foi o fato de, segundo alguns, os vândalos não usarem camisa verde e amarela, apesar de elas estarem amarradas na cabeça ou servindo de vestimenta para muitos deles, de acordo com as imagens disponíveis nas redes sociais e que circularam durante a noite.

Muitos têm atribuído responsabilidade ao presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas, por causa dos discursos dúbios, que sinalizam apoio às manifestações golpistas. O fato tem elevado as cobranças por parte de aliados políticos, apoiadores e do Judiciário para que ele peça para as pessoas aceitarem o resultado e irem para casa. Enquanto não faz isso, pequenos grupos se postam em frente aos quartéis do Exército pedindo que os militares deem um improvável golpe para manter Bolsonaro no poder e acabar de vez com a democracia no país.

É necessário um basta e ele precisa vir de quem inspira os movimentos. O recado dado por Alexandre de Moraes durante a diplomação de Lula foi clara: identificados, eles serão plenamente responsabilizados. As instituições democráticas do país demonstraram força nos últimos tempos para resistir aos arroubos autoritários de quem atentou contra a democracia. Muito claramente, é possível dizer que haverá um preço para estas pessoas.

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