O Plenário do Senado rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A rejeição histórica foi ao nome de Messias, mas a derrota cai sota sobre o Palácio do Planalto. O advogado-geral da União era a aposta do presidente Lula (PT) para a vaga aberta com a aposentadoria de Luiz Roberto Barroso.
A votação, secreta como manda o rito, revelou o tamanho do desconforto do grupo liderado por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa: 42 votos contra, 34 a favor. Faltou a Messias o número mágico de 41 apoios. E, como tantas vezes na política, o que parecia encaminhado acabou desmoronando no plenário.
O resultado não surgiu do nada. Foi o desfecho de uma disputa prolongada entre Congresso e governo, alimentada pelo desgaste do Judiciário e por um ambiente político em que a direita tem ganhado musculatura às vésperas das eleições.
Antes disso, Messias já havia passado por uma sabatina longa — cerca de oito horas — na Comissão de Constituição e Justiça. Saiu de lá aprovado, mas por margem apertada: 16 a 11, o placar mais estreito desde a redemocratização. Um sinal, talvez, de que o caminho adiante não seria simples.
Na tentativa de virar votos, o indicado investiu em gestos calculados: aproximou-se de parlamentares conservadores, destacou sua fé evangélica e acenou com a redução das tensões entre Supremo e Congresso. Não bastou. Quando a conta chegou, faltaram votos — e sobrou recado político.
O episódio inaugura uma crise de fôlego entre Executivo e Legislativo. E entra para a história: desde 1894, na era de Floriano Peixoto, o Senado não barrava uma indicação presidencial para o Supremo. Naquele tempo, foram cinco nomes recusados. Agora, mais de um século depois, o roteiro voltou a se repetir — com novos atores, mas a mesma lógica implacável do poder.
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