Executivo
Segundo turno entre Lula e Bolsonaro mostra que disputa final terá emoção de Copa do Mundo
02/10/2022 22:10
Suetoni Souto Maior
Bolsonaro e Lula duelaram durante a campanha de 2022, vencida pelo petista. Foto: Reprodução

Todos os que se arriscam a fazer análise política costumam dizer que um processo eleitoral você sabe como ele começa, mas é impossível prever como termina. A disputa deste ano, pela Presidência da República, deixou isso claro mais uma vez. Durante a corrida, em vários momentos, teve-se a impressão de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia vencer no primeiro turno. Daí, o presidente Jair Bolsonaro (PL), vitaminado por benesses eleitorais, demonstrou potencial de crescimento, mesmo que limitado pela elevada rejeição. Limitado, sim, mas que se mostrou suficiente para levá-lo ao segundo turno.

O dia da eleição demonstrou que o forte antipetismo presente, principalmente, nos estados do Sul e parte significativa do Sudeste fez com que Bolsonaro tivesse desempenho nas urnas não captado pelas pesquisas eleitorais mais respeitadas. Datafolha e Ipec chegaram bem perto de acertar a votação de Lula, que ficou em pouco mais de 48%. Já o presidente aparecia com menos de 40%, variando entre 35% e 36% dos votos válidos, mas ele alcançou 43% nas urnas. Uma reação refletida, também, na eleição de aliados como os ex-ministros Marcos Pontes (SP), Damares Alves (DF) e Rogério Marinho (RN), todos para o Senado.

Mas isso não foi o mais surpreendente. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas, considerado um forasteiro no Estado vai para o segundo turno contra Fernando Haddad, do PT. E o traço mais interessante é que o petista liderava todas as pesquisas, porém terminou o primeiro turno em segundo lugar. Para o Senado, Bolsonaro também viu ser eleito o atual vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), no Rio Grande do Sul. Igualmente surpreendente foi a liderança de Onyx Lorenzoni na corrida eleitoral gaúcha, mais votado que o ex-governador Eduardo Leite (PSDB), favorito para vencer a disputa até bem pouco tempo.

É possível dizer, analisando o quadro eleitoral, que o resultado alcançado por Bolsonaro foi uma grande vitória para ele, que vai para o segundo turno com maioria de votos em estados importantes, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro. Apesar disso, a possibilidade de vitória do gestor se torna difícil pela alta rejeição, acumulada durante os quase quatro anos de governo, notadamente durante a pandemia. Mas ele tem alguns trunfos para explorar. Um deles é investir em Minas Gerais, onde Romeu Zema (Novo) evitou o apoio no primeiro turno e conseguiu ser reeleito.

Já Lula fará o caminho de busca dos votos dos candidatos Simone Tebet (MDB) e de Ciro Gomes (PDT). A emedebista já disse que não votará em Bolsonaro de jeito nenhum. O pedetista, por outro lado, pediu tempo para pensar. Mesmo assim, é difícil imaginar um apoio dele ao atual presidente. Não é absurdo dizer que o segundo turno funciona como uma nova eleição e este tem certo grau de imprevisibilidade. Voltando ao paralelo com a Copa do Mundo, podemos dizer que a bola está com Lula, mas é melhor não bobear.

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