Executivo
Se falta vacina em João Pessoa, fatura deve ser cobrada do Ministério da Saúde
13/04/2021 19:58
Suetoni Souto Maior
Fábio Rocha (E) e Léo Bezerra deram entrevista coletiva para falar sobre a situação da vacinação em João Pessoa. Foto: Divulgação/Secom-JP

Andei observando o dia de vacinação, em João Pessoa, nesta terça-feira (13). A cena de milhares de idosos indo ao Espaço Cultural em busca da segunda dose do imunizante foi perturbadora. Houve aglomeração e muita gente usou as redes sociais para criticar o trabalho da prefeitura. Mas quando você analisa o caso amiúde, vê que as queixas atacam o efeito, mas não a origem do problema. Falando curto e grosso, se falta vacina, a culpa é do Ministério da Saúde.

Não vou, aqui, responsabilizar o ministro paraibano Marcelo Queiroga, que luta diariamente para não ser visto como “corpo estranho” na pasta ocupada por ele. Seria maçante usar este espaço para repetir que viveríamos outra realidade se o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tivesse priorizado a vacina desde o início da pandemia. Isso todo mundo já sabe. Mas é inequívoco que o efeito de tudo isso é o atraso na oferta de vacina e, consequente, da imunização da população.

Vamos ao caso desta terça-feira. A prefeitura disponibilizou sete postos de vacinação para a aplicação da segunda dose da CoronaVac. O dia tinha tudo para ser tranquilo, mas as pessoas viram matéria jornalística informando que o repasse de vacinas pelo Ministério da Saúde seria suspenso em todo o Brasil. Então, o fulano precisa tomar a segunda dose pensa: se eu não for agora, vai faltar. O ato contínuo disso é ele correr para o local de vacinação.

No Espaço Cultural teve gente chegando às 3 horas da manhã. Você pode culpar essa pessoa? Lógico que não. Ela correu para buscar a sobrevivência, a fuga da pandemia. E só quem tem dificuldade para enxergar a curvatura da terra duvida da necessidade da vacina. Se eu tivesse idade e a primeira vacina no braço, teria corrido também atrás da segunda dose. De repente, estavam lá três mil pessoas para concorrer a mil vacinas. A conta não fecha.

O Brasil ganhou fama internacional pelos expertise em vacinação. O Sistema Único de Saúde (SUS) criou as condições para que tenhamos, hoje, a estrutura de uma Ferrari, mas um motor de cinquentinha para conduzir o Plano Nacional de Vacinação. Então, quando há um mês o ex-ministro Eduardo Pazuello (Saúde) disse que não era preciso mais guardar a segunda dose, que o envio das vacinas seria perene, a prefeitura de João Pessoa envenenou a cinquentinha e vacinou um monte de gente.

Resultado, a capital paraibana atingiu um grau de imunização muito mais acelerado que o dos principais centros do Brasil. Imunizou 148,7 mil pessoas, sendo 21 mil vindas de outras cidades. Mas o compromisso do Ministério da Saúde de enviar as vacinas não foi cumprido. Isso não é “privilégio” de João Pessoa. Ocorre em todo o país. Tem faltado a vacina CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan. A promessa é que elas cheguem até o fim de semana.

A consequência disso é que a prefeitura decidiu suspender toda a vacinação. Existem doses da AstraZeneca, mas não da CoronaVac. O resultado disso é que abrir os postos de vacinação fará com que muitas pessoas que precisam da segunda dose da vacina do Butantan, tente tomar doses da Fiocruz. Este cenário não é possível. O secretário de Saúde, Fábio Rocha, disse que a vacinação será ministrada até o 28° dia da primeira dose.

Segundo ele, o processo de imunização, conforme a informação do diretor-presencial do Instituto Butantan, Dimas Covas, mudou de parâmetro com os avanços dos estudos sobre a Covid-19. “As pessoas podem ficar tranquilas porque a vacina do Butantan poderá ser aplicada a partir de 28 dias. A estrutura montada, com respeito a todos os protocolos sanitários, nos permite dizer que havendo vacina, estamos preparados para imunizar em mais de 60 locais simultaneamente”, disse.

A população tem todo o direito do mundo de reclamar. Eu diria que é importante que ela faça isso. Mas a solução só será possível se o Ministério da Saúde cumprir a promessa e mandar vacinas.

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