Judiciário
Rompimento de Hervázio ‘depura’ base aliada de João Azevêdo, mas votos perdidos podem fazer falta
19/01/2026 16:08

Suetoni Souto Maior

Hervázio Bezerra e João Azevêdo antes do rompimento. Foto: Divulgação

O governador João Azevêdo (PSB) tem adotado um padrão na relação com os aliados que flertam com o bloco adversário. Se quiserem seguir o projeto da oposição, vão por completo. Nada de votar no candidato ao governo adversário e no postulante ao senado da base governista, mesmo que o candidato em questão seja ele. Foi assim com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), é assim com o deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB) e será assim com o vice-prefeito da capital, Léo Bezerra (PSB).

Este entendimento tem feito o governador adotar postura muito dura em relação aos aliados ‘divididos’. Com Cícero, disse que não acreditava no apoio prometido e se mostrou magoado com o afastamento do prefeito. Com Hervázio, minimizou a entrega do deputado no período em que ele esteve à frente da Secretaria da Juventude, Esportes e Lazer. Com Léo, vai garantiu que só conversará quando o atual vice assumir em definitivo a prefeitura. Certamente, vai mantê-lo na base se, como prefeito, garantir o apoio irrestrito à ala governista. E isto não irá acontecer.

É fácil entender a lógica adotada por João. Se ele acha que será traído mais à frente, tem apressado o rompimento. O problema é que, com isso, acaba dando discurso para o ex-aliado na saída, isentando ele da obrigação de dar explicações. Hoje ninguém ouve mais Cícero falando em votar em João e no senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), como fez em um passado recente. Hervázio agora segue o mesmo caminho e, certamente, isso será feito por Léo e, talvez, pelo deputado estadual Felipe Leitão (Republicanos).

Acontece que numa eleição para o Senado, o segundo voto é uma commodity que não pode ser desperdiçada. É verdade que votar no nome de um agrupamento político e em outro do bloco adversário é esquisito e difícil de acreditar. Só que o Republicanos já mostrou que esta não é apenas um jabuticaba muito brasileira. Ela é também docinha e desejada numa disputa em que o segundo voto é tão importante. Por conta disso, mesmo quando há favoritismo, não se pode abrir mão de voto. Até porque ele pode fazer falta mas à frente.

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