A frase é velha e, por isso mesmo, desprezada pelo jornalismo, mas ela cabe como uma luva para o momento: “não chamem o ex-governador Ricardo Coutinho e o deputado federal Luiz Couto para a mesma mesa”. É que duas décadas e um punhado de anos depois do primeiro grande rompimento, os dois estão trocando farpas nos bastidores do PT. O motivo: a briga fratricida por uma vaga na Câmara dos Deputados. Historicamente, o partido tem eleito um nome para o cargo e, em 2026, Couto e Coutinho veem a mesma vaga como objeto de desejo.
Por causa disso, Couto tem dado declarações desabonadoras contra ex-governador. Diz que Coutinho tem ido aos municípios e feito pouco caso das condições físicas e da idade do colega de partido. Em entrevista à TV Master, o deputado acusou o colega de etarismo. “Fiquei triste porque, em alguns lugares, ele [Ricardo] chegou dizendo que o deputado Luiz Couto está muito velho. Isso pode até ser motivo de punição pela justiça”, disse o parlamentar, alegando ainda que, em um passado próximo, fez longamente a defesa de Coutinho em meio aos processos da Calvário.
O ex-governador não tem dado declarações públicas sobre as acusações do colega. O fato é que em 2018 Coutinho tentou eleger Luiz Couto para o Senado. Na época, a tentativa bateu na trave, com o deputado chegando em terceiro. Naquele ano, o ex-deputado Frei Anastácio foi eleito para a Câmara dos Deputados, ocupando esta vaga tradicional dos petistas. Quatro anos depois, Couto superou Anastácio e foi eleito novamente para o Congresso. Naquela oportunidade, foi Coutinho que bateu na trave e não conseguiu se eleger para o Senado.
Só que agora a briga é mais renhida, já que ele tem os dois disputando a mesma vaga. Não há evidências, hoje, de que o partido tenha condições, e principalmente votos, para eleger dois. Daí se imaginar que daqui para frente tudo da cintura para baixo entre os dois seja canela.
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