Executivo
PSB mostra força com a filiação de 73 prefeitos e equilibra jogo com o Republicanos para 2026
17/04/2023 14:54

Suetoni Souto Maior

João Azevêdo reúne lideranças para filiação ao partido.

“Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. A frase de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas, trata da imprevisibilidade da ação política. Ou seja, nada é definitivo, mesmo para quem “combinar com os russos”. Vamos ao ponto: saímos de 2022 com a sensação latente de que nada na política paraibana se moveria em 2026 sem a influência do Republicanos. A sigla comandada pelo deputado federal Hugo Motta abocanhou a maior bancada paraibana na Assembleia e na Câmara dos Deputados, o que levaria a agremiação a sonhar com o Senado ou o governo em 26. Isso até hoje.

A caminhada ficou um pouco mais tortuosa com o movimento do governador João Azevêdo (PSB) para a filiação de 73 prefeitos ao partido dele. A medida, muito claramente, mostra que o gestor e a sigla não querem ser coadjuvantes nas eleições de daqui a três anos. A agremiação, portanto, passa a ostentar, a partir de agora, não apenas o comando do governo do Estado, mas de dezenas de municípios, com potencial ainda de crescimento. Isso equilibra o jogo com o Republicanos, com seus oito deputados estaduais, três federais e grande penetração no municipalismo pelo estado afora.

O movimento coincide, também, com o lançamento informal de uma possível postulação de João Azevêdo para o Senado, em 2026. O nome foi colocado na praça, em discurso, nesta segunda-feira (17), pelo deputado estadual Tião Gomes (PSB), mas foi levado pouco a sério pela imprensa. O próprio governador, para evitar mal-estar, tratou dizer que ainda é cedo. Mas a bem da verdade, esta é a conta feita por todos na sigla socialista, visando o pleito de daqui a três anos, quando estarão em jogo duas vagas na Casa Alta, as de Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Daniella Ribeiro (PP).

Acontece que até bem pouco tempo a busca pelo fortalecimento na sigla era pequena. Para se ter uma ideia, o número de prefeitos filiados era pouco superior a 20, o que é incomum para a média das gestões paraibanas. A filiação de 73 gestores e quatro vice-prefeitos, portanto, recoloca o partido no jogo. Um socialista ouvido pelo blog classificou a solenidade desta segunda como a prova de que “o PSB voltou”. E apesar de ninguém na sigla admitir abertamente, o movimento de agora tem a ver com a intenção de não deixar o Republicanos solto, ditando o protagonismo da política estadual.

Em nome do projeto estadual, o PSB anunciou nesta segunda a disposição de lançar candidaturas em todos os municípios paraibanos, mas deixando claro que haverá abertura para os aliados. O caso mais emblemático é o de João Pessoa, onde o partido apoiou Cícero Lucena (PP) em 2020 e deverá manter a aliança para o próximo ano. O mesmo não pode ser dito da segunda maior cidade da paraíba, Campina Grande. As pedras foram lançadas na mesa e muito em breve teremos clareza do projeto político de João Azevêdo. Por certo não será a aposentadoria.

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