O deputado federal Efraim Filho (União Brasil) tem agido nos últimos dias para evitar fissuras na sua base de apoio ao projeto de disputa do Senado. Nos últimos dias, tem buscado agendas com parlamentares do Republicanos, principalmente com o presidente da legenda, Hugo Motta. O encontro do dirigente com o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), virtual adversário de Filho, na última quarta-feira (27), fez o staff do parlamentar acender o sinal de alerta. Em jantar com prefeitos, o progressista desfilou ao lado do governador João Azevêdo (PSB) e do deputado federal Hugo Motta.
Não demorou para que Efraim Filho acusasse o golpe. Em entrevista à rádio CBN, no dia seguinte, ele falou em manutenção de compromisso e “honradez”, posturas que ele disse esperar do Republicanos. Logo em seguida, o prefeito de Cabedelo, Vítor Hugo (União Brasil), aliado de Efraim, também veio a público para cobrar o cumprimento do compromisso do grupo de Hugo Motta com a postulação do aliado. O temor, lógico, foi pelo risco de enfraquecimento de Efraim na caminhada rumo à disputa pela vaga na Casa Alta. O parlamentar, diga-se de passagem, arriscou tudo, repartindo entre os apoiadores o seu espólio político.
A pressão parece ter dado resultado. Neste fim de semana, em agendas pelo Sertão, Efraim postou fotos em eventos com os deputados federais Hugo Motta e Wilson Santiago, ambos do Republicanos. Neste domingo (1º), voltou a usar o discurso de que “foguete não dá ré”, para descrever o empenho na disputa da vaga no Senado. Pregou ainda o desejo de que o Sertão esteja “fechado com Efraim” e projetou votar, ao lado de Hugo Motta, a favor do projeto de lei que cria um piso salarial para os profissionais da enfermagem no país. A matéria deve entrar em votação nesta semana na Câmara dos Deputados.
A preocupação de Efraim com a manutenção do apoio do Republicanos tem sentido. A legenda foi a que mais se fortaleceu durante a janela de troca de partidos neste ano e tem muito peso para a disputa eleitoral de outubro. Para se ter uma ideia, Aguinaldo colocou a atração do partido a João Azevêdo como condição para a disputa do Senado. O obstáculo para que isso se concretize, segundo os aliados, é que o progressista não sentou para discutir a divisão da base dele. Cogita-se que o objetivo seja investir na candidatura do sobrinho, Lucas Ribeiro, atual vice-prefeito de Campina Grande.
Ouvido pelo blog, uma das lideranças do Republicanos alertou que as pessoas não se surpreendam e nem considerem as aparições de Efraim ao lado de Hugo e Wilson como sinal de que está tudo resolvido. “Estamos em período eleitoral. As bases convergem e os postulantes andam muito. Em muitas destas agendas, as fotos são feitas. Isso não é, necessariamente, garantia de aliança”, disse. Muitas lideranças do grupo querem votar em um candidato ao Senado alinhado com João, só que entendem que isso só será feito se Aguinaldo ceder as bases dele.
Aguardem as cenas dos próximos capítulos.
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