Judiciário
Prefeito de Lucena alega ‘bebedeira’ dos moradores da cidade para não abrir postos de vacinação nos fins de semana
19/01/2022 08:54
Suetoni Souto Maior
Desembargador entende que autorização precisaria partir da Secretaria da Juventude. Foto: Fábio Eduardo Pozzebom

O prefeito de Lucena, Léo Bandeira, deve ter causado espécie nos membros dos Ministérios Públicos Federal (MPF) e da Paraíba (MPPB) nesta semana durante depoimento aos órgãos. Além de tudo o que aconteceu no município nos últimos 30 dias, com vacinação de crianças contra Covid-19 com doses para adultos vencidas e ainda o descarte de 1.400 doses do imunizante, ele deu uma desculpa nada usual para fechar os postos de vacinação entre sexta-feira e domingo: ele disse que por Lucena ter uma população praieira, os moradores gostam de tomar bebidas alcoólicas no fim de semana e não se vacinam neste período.

Escrevi ontem aqui neste espaço que a cidade virou um circo dos horrores quando o assunto é vacinação. O gestor admitiu não ter acompanhado de perto a imunização durante a maior pandemia dos últimos 100 anos, porém, garantiu ter feito campanhas. O histórico do município, no entanto, tem sido de não adesão aos dias “D” de vacinação puxados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). A consequência de tudo o que aconteceu é que a população tem manifestado uma indesejável desconfiança sobre a capacidade vacinal do município.

No trato com os Ministérios Públicos, a Secretaria Estadual de Saúde se comprometeu a assumir a imunização das crianças por pelo menos 30 dias e acompanhar de perto a vacinação dos adultos no município. A lenda de que as pessoas não se vacinam de sexta a domingo na cidade precisa ser superada. O Litoral paraibano é repleto de cidades e o parâmetro citado por prefeito e servidores de Lucena não serve para nenhuma delas. As fiscalizações revelaram absurdos como vacinas acondicionadas em recipientes com temperaturas positivas de até 8 graus.

Então, para resolver a questão, não vai ser suficiente ao prefeito apenas demitir secretário de saúde, chefe de imunização, enfermeira… Ele precisa agir como gestor municipal e acompanhar de perto os temas caros ao município. O prejuízo que for apurado depois das inspeções e do devido processo legal, contando as vacinas jogadas no lixo, devem ser debitados da conta pessoal do gestor e não da coletividade. O exemplo de Lucena, de triste memória, precisa servir apenas de “case” sobre tudo o que os gestores dos outros municípios não devem fazer.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni