Executivo
Prazo dilatado para formar federações partidárias vira armadilha para candidatos e grupos políticos na Paraíba
11/02/2022 09:21

Suetoni Souto Maior

Fonte: O Globo

Os dirigentes partidários andam fazendo as contas na Paraíba sobre o resultado das federações em discussão no plano nacional. A conclusão é que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que prorrogou de 1º de março para 31 de maio o prazo para fechar os acordos virou uma armadilha para as lideranças estaduais. Na Paraíba, não há uma composição em que os filiados não estejam pressionados contra a parede. Isso por que o prazo para o fechamento das federações é maio, mas as transferências ou filiações partidárias só podem ser feitas até o dia 2 de abril, segundo o que foi definido no calendário eleitoral.

Isso é mais ou menos como entrar em um ônibus sem identificação de destino, sem freio e com um motorista bêbado. O reflexo mais louco disso é que uma vez fechada a porta, não dá mais para puxar o cordão e descer do veículo. É mais ou menos essa a realidade vivida pelo governador João Azevêdo (Cidadania) e pelo deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB). Os partidos deles conversam nacionalmente e avançam para o fechamento de uma federação, mas na Paraíba as duas siglas são antagônicas. O efeito Paraíba, vale ressaltar, é o maior problema para o fechamento da aliança no Brasil.

Veja as coligações discutidas

. PT – PSB – PCdoB – PV

. Cidadania – Podemos

. Cidadania – PSDB

. PSDB – MDB

. União Brasil – MDB

O que há de inegável é que ou João deixa o Cidadania ou Pedro deixa o PSDB. Isso porque nenhum está disposto a esperar as algemas impostas pelo tempo. O governador pode ir para o PSD ou para o PSB, ambos também com seus problemas de convivência. Pedro ainda não anunciou o destino provável, até por acreditar que João vai abandonar a sigla atual. E se isso ocorrer, vai ser também pela conversa do Cidadania com o Podemos, visando uma federação. É difícil conciliar os interesses, pois o gestor paraibano quer apoiar o ex-presidente Lula (PT) para presidente, enquanto o PSDB terá João Dória e o Cidadania Sérgio Moro na disputa.

As discussões no plano nacional podem prejudicar outras possíveis candidaturas. Uma delas é a do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). O partido dele discute com o PSDB a criação de uma filiação. O parlamentar quer ser o candidato de Lula nas eleições deste ano, mas terá que lutar, na Paraíba, contra a possível imposição de João Dória como candidato. Hoje o MDB tem Dimone Tebet (MS) como postulante, mas sem nenhuma imposição nos Estados. E ainda tem a discussão de federação com o União Brasil, fruto da fusão de DEM com o PSL.

As composições podem trazer dificuldades também para o grupo do ex-governador Ricardo Coutinho (PT), que faz planos para a disputa de uma vaga no Senado. Ele poderá ser forçado a uma convivência com João Azevêdo, caso ele siga o caminho de filiação ao PSB. Como o partido deve formar uma federação com o PT, isso colocaria, em tese, o governador no comando das ações da composição na Paraíba. Não há caminho simples.

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