Executivo
Praia em São Paulo, Lei Áurea assinada por Dom Pedro II: erros bizarros da educação bancada por Tarcísio de Freitas
02/09/2023 08:06
Suetoni Souto Maior
Feito para ser usado de forma digital, material didático precisa ser impresso pelas escolas para ser usado - Reprodução

Os primeiros meses deste ano foram marcados pela surreal decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de abandonar o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para os anos finais do ensino fundamental (do sexto ao nono ano) e ensino médio. O programa estadual adotaria apenas um sistema próprio, preparado digitalmente, e de qualidade muito superior à do restante do país. Só que não. A promessa não resistiu à prova do tempo e o conteúdo revelado agora mostra justamente o contrário, com erros bizarros em história, biologia e matemática.

Veja alguns:

“A proibição do uso de biquínis foi adotada por Jânio Quadros em 1961, quando ele era prefeito de São Paulo. Ele emitiu um decreto vetando o uso de biquínis nas praias da cidade. A justificativa de Quadros era que o traje de banho seria uma afronta à moral e aos bons costumes. Esse impedimento também causou grande repercussão na época e gerou protestos de mulheres”, diz o texto.

Realidade: Em primeiro lugar, São Paulo, como até os bebês sabem, não tem praia. Segundo, Jânio Quadros foi prefeito da cidade em duas oportunidades (1953 a 1955 e 1986 a 1988), mas a decisão relacionada à proibição ocorreu quando ele foi presidente da República e tinha validade para todo o país. Isso ocorreu realmente em 1961, ano em que ele tomou posse e, meses depois, renunciou ao cargo de forma surpreendente.

Em outro trecho, quando se fala sobre os abolicionistas, o material didático atribui ao imperador Dom Pedro II a assinatura da Lei Áurea, só que, na verdade, como até as criancinhas sabem, foi a Princesa Isabel quem assinou o documento, em 1888, pondo fim à escravidão no Brasil. Dom Pedro, na época, estava fora do país.

Outro erro básico de história é que a música “É Proibido Proibir”, de Caetano Veloso, aparece com uma foto e o nome do cantor e compositor paraibano, Geraldo Vandré.

Achou pouco, em um dos conteúdos, direcionado ao ensino médio, quando o assunto era o espectro solar: o slide falava uma descoberta do físico e astrônomo francês Jean Foucault em 1985, mas ele morreu em 1868. Ou seja, a linha do contínuo espaço tempo foi dobrada na aula de física.

Mas não para por aí. Em aula de biologia voltada para os alunos do 7º ano, o conteúdo didático coloca entre as “doenças de veiculação hídrica” enfermidades como Parkinson, Alzheimer e depressão, atribuindo os casos à contaminação por mercúrio, agrotóxicos, remédios e produtos químicos em geral.

Já na disciplina de matemática, na aula 7, para o 6° ano do ensino fundamental, foi encontrado erro em uma conta básica de divisão. Em vez de 36 dividido por 9 ser igual a 4, o resultado apontava 6.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, coordenada por Renato Feder, informou que afastou os servidores responsáveis pelos graves erros didáticos no material digital produzido pela pasta e que o conteúdo, que é editável, foi atualizado e retificado.

Isso só prova uma coisa: politizar programa educacional é um erro gravíssimo. Ah, tá! Prova outra coisa também: deixa claro que o sistema educacional produzido para São Paulo é uma droga.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni

Palavras Chave