Executivo
Planos de bolsonaristas para tomar o poder lembram os do Cebolinha, mas são graves o suficiente para render cadeia
03/02/2023 08:05
Suetoni Souto Maior

Só mais 72 horas! Era essa a frase gritada por bolsonaristas em manifestações que fechavam rodovias ou se concentravam em frente a quartéis após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas. A lógica era a de que a qualquer momento as Forças Armadas tomariam as ruas, prenderiam ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e instalariam um regime de exceção. O mais recente, revelado pelo senador Marcos Do Val (Podemos-ES), segue no mesmo sentido, apesar de guardar semelhanças com os “planos infalíveis” do Cebolinha, da Turma da Mônica. Em todos, o traço comum é o envolvimento do ex-presidente em tentativas golpistas.

Fosse na Alemanha ou em qualquer outro país sério, todos já estariam presos. Isso foi visto recentemente no país europeu. Por aqui ficou patente as reiteradas tentativas do ex-presidente de se manter no poder, apesar de ter evitado dar a cara a tapa. Basta lembrar das ameaças feitas antes da campanha, quando alegava que não aceitaria um resultado nas eleições que não referendassem ele como eleito. Em meio a isso, contestou a segurança das urnas e usou as Forças Armadas para criar um clima intimidatório com o Supremo Tribunal Federal.

Derrotados, bolsonaristas colocaram em prática o primeiro plano. Eles espalharam protestos pelo país, contando com a leniência ostensiva da Polícia Rodiviária Federal (PRF) e da Polícia Militar. A ideia era criar o caos a um ponto que as Forças Armadas fossem “obrigadas” a intervir. Mas eles não combinaram com os Russos. As instituições democráticas agiram à altura e debelaram os movimentos golpistas. O papel de Alexandre de Moraes, do STF, neste processo foi essencial. Ele puniu financiadores e determinou ação da PRF e outros órgãos.

Depois veio o vandalismo do dia 12 de dezembro, dia da diplomação do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante de uma Polícia Militar do Distrito Federal leniente, houve quebra-quebra e invasão da sede da Polícia Federal, em Brasília. O ato contínuo disso, contando também com a leniência das Forças Armadas, foi o 8 de janeiro, quando bolsonaristas promoveram novo quebra-quebra na capital federal. O que na visão deles forçaria o golpe acabou, lógico, causando repulsa na população e todo o movimento foi debelado.

O que temos agora é a ressaca de tudo o que aconteceu entre aquele 30 de outubro da derrota de Bolsonaro e as buscas por soluções entre aliados para ele se manter no poder. Sem votos suficientes e sem apoio, os planos “infalíveis” se acumularam deixando digitais de Bolsonaro em tudo. Depois que Marcos Do Val revelou o plano para gravar Alexandre de Moraes proposto pelo ex-deputado Daniel Silveira na presença do ex-presidente, o filho do ex-gestor, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou a reunião e não negou a possibilidade de ter havido o diálogo. Disse apenas que o crime não se efetivou.

Na Alemanha, por muito menos, um monte de golpistas foi parar na cadeia. O ordenamento jurídico brasileiro também prevê cana para estes casos. Daniel Silveira já está vendo o sol nascer quadrado. Por isso, é melhor os outros envolvidos com os planos infalíveis a la Cebolinha irem botando as barbas de molho. Até por que, na Turma da Mônica, o ameaçado é o coelhinho Sansão. Na versão bolsonaista, o risco é para a democracia.

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