Executivo
Mulher perde duas casas e faz R$ 50 mil em dívidas com jogos online; saiba como tema impactará corrida presidencial
26/04/2026 09:50

Suetoni Souto Maior

Assíria Macêdo, de 29 anos, está em busca de emprego para quitar as dívidas que contraiu por vício em jogos online. Foto: Reprodução/ Instagram

Tem viralizado, nos últimos dias, um vídeo com a história de uma mulher de Fortaleza, no Ceará, que perdeu duas casas, mantém cerca de R$ 50 mil em dívidas com agiotas e agora tenta reconstruir a vida tomada dela pelos jogos online. Uma história real igual ou parecida com a de milhares de pessoas no país, aflitas com um tema que agora ganha espaço no debate político presidencial.

Assíria Macêdo é extensionista de cílios, tem 29 anos, e luta para quitar todos os débitos e reconstruir o patrimônio que perdeu. A história é impactante. Ela conta que começou a jogar no Tigrinho em 2022, incentivada por amigas do salão de beleza. No início, jogava pouco e chegou a ganhar dinheiro. Depois, começou a perder e viu o casamento acabar em meio a mentiras.

Veja o depoimento no link

O marido chegou a vender uma moto para pagar dívidas. Depois da separação, ela afundou ainda mais. Os pais venderam as duas casas que tinham, os móveis e hoje eles vivem de aluguel, pago pelo ex-marido, pai da filha mais nova. Ela passou a vender açaí em uma praça e os amigos estão fazendo campanha online para ajudar a pagar as dívidas com agiotas, autores de ameaças contra a jovem.

A história dela é exemplo do que tem ocorrido em todo o país e de como isso tende a ocupar espaço de destaque na corrida presidencial deste ano. Recentemente, tanto o presidente Lula, do PT, quanto o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, deram mostras de que vão abordar o tema. De certa forma, com posições voltadas para o ataque ao adversário.

Flávio Bolsonaro gravou vídeo acusando Lula de ter regulamentado as apostas online e, por isso, trazido o país para esta quadra. Foi obrigado a ouvir do petista que os jogos online foram liberados no governo de Michel Temer (MDB), em 2018, e que cabia ao pai do senador, Jair Bolsonaro, atualmente preso, fazer a regulamentação. Só que isso não ocorreu e os jogos online se proliferaram na gestão Bolsonaro, sem nenhuma regulação e sem pagar impostos, até a regulamentação gestava no governo Lula.

Mais recentemente, em entrevista, Lula falou em aumentar as restrições e tem sentido de ser. Pesquisas recentes mostram que 80% da população brasileira está endividada. E este tem sido um dos motivos que tem feito com que a avaliação do presidente caia na corrida eleitoral deste ano. O fato é que os jogos online se revelaram um abismo para muita gente.

Em contrapartida, nas rodas políticas, a informação é a de que as plataformas tendem a ser direta e indiretamente as maiores financiadoras das campanhas eleitorais neste ano. Fala-se que as campanhas para o Senado devem custar em torno de R$ 60 milhões. Lógico que estes não devem ser os números oficiais, mas há suspeitas de onde virá o dinheiro.

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