Covid-19
Mesmo sem aval da Anvisa, Comitê Científico do Consórcio Nordeste indica importação da Sputnik V
27/04/2021 12:35
Suetoni Souto Maior
Governadores do Nordeste vêm criticando obstáculos criados pela Anvisa. Foto: Divulgação/Secom-CE

O Comitê Científico do Consórcio Nordeste recomendou, nesta segunda-feira (26/04), a importação da Sputnik V, vacina russa contra covid-19, para o Brasil. A indicação ocorre no momento em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou a liberação do imunizante para o país. A decisão do órgão federal foi duramente criticada por vários governadores nordestinos, pelo fato de o imunizante ter sido aprovado em 61 países.

“Diante desta pandemia, não podemos deixar que entraves burocráticos prejudiquem o acesso da população a uma vacina que comprovou sua eficácia, segurança e com real garantia de disponibilidade, como a Sputnik-V, pelo esforço do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste”, diz o documento divulgado pelo Consórcio Nordeste.

O presidente do Consórcio Nordeste levantou dúvidas sobre os motivos que levaram a Anvisa a negar a liberação do imunizante. Entre os motivos para a negativa, o órgão disse que há a “presença de adenovírus replicante na vacina”, o que seria “uma não-conformidade grave”. Os governadores do Nordeste firmaram contrato para a compra de 37 milhões de doses da Sputnik V.

Ao todo, 14 Estados já pediram autorização para comprar e distribuir a Sputink V: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe e Tocantins. Também solicitaram autorização as cidades Maricá e Niterói, ambas no Rio de Janeiro.

O grupo pondera que estudos comprovam a eficácia da vacina. “Os estudos publicados de fase 2 da vacina Sputnik-V testaram duas formulações baseadas em dois subtipos do adenovírus e todos os participantes produziram anticorpos contra a glicoproteína do SARS-CoV-2, com uma taxa de soroconversão de 100% após 42 dias da aplicação”.

Com a negativa da Anvisa, a possibilidade levantada é que os gestores locais se valham da Lei 4.124/2021 (que facilita a compra, importação e uso de vacinas e medicamentos contra a covid-19) para recorrer à Justiça. A referida legislação prevê que vacinas aprovadas por determinadas agências internacionais podem entrar em uso no Brasil. Este é o caso da Sputnik V e a brecha é o principal argumento usado pelos governadores para pleitear a importação. De qualquer forma, a decisão de hoje impossibilita, por falta de tempo hábil, a inclusão da vacina no Programa Nacional de Imunização (PNI) ainda este mês.

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