Executivo
Mesmo com queixas de Bruno, polícia fará valer o decreto estadual
13/03/2021 08:30
Suetoni Souto Maior
Bruno Cunha Lima questiona critérios usados pelo governo do Estado. Foto: Reprodução/Instagram

Existem dois tipos de batalha: a que nos torna mais fortes e a batalha inútil. Quando o assunto diz respeito à pandemia, o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD), claramente optou pela segunda. Ele vem comprando briga há uma semana com o governador João Azevêdo (Cidadania) para adotar medidas mais brandas no enfrentamento da pandemia da Covid-19. O tema, inclusive, virou palco para a politização. O problema é que essa é uma briga perdida.

O atrito atingiu um novo patamar nesta sexta-feira (13), quando o prefeito soube que a Polícia Militar faria valer o toque de recolher das 22h às 5h. Não demorou para que o gestor campinense corresse às redes sociais para dizer que a cidade tem decreto próprio. Por ele, não há previsão de toque de recolher, nem do fechamento das atividades não essenciais nos fins de semana. Só que o decreto estadual tem. Neste caso, a Justiça tem dado razão ao mais restritivo.

E tem uma lógica para isso acontecer. Se Campina Grande tem números melhores em relação às internações, então parabéns para a cidade. Só que o município não é uma ilha. Os leitos do SUS (Sistema Único de Saúde) disponibilizados para lá são pagos com recursos públicos e há pactuação para 70 outras cidades. Sempre que analisados estes dados, as instâncias judiciais, da maior à menor esfera, têm dado razão ao Estado. O antecessor de Bruno, Romero Rodrigues (PSD), perdeu todas as batalhas. A queixa de Bruno, então, tende a não vigorar.

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O secretário de Segurança e Defesa Social do Estado, Jean Nunes, em conversa com o blog, disse que o decreto estadual será soberano. Ou seja, se as polícias Civil e Militar verificarem o descumprimento da norma, o estabelecimento será fechado. O governador João Azevêdo disse nesta sexta-feira que a Procuradoria-Geral do Estado vai entrar com ação contra os decretos municipais que flexibilizarem as medidas.

Isso vale para quem riscou o toque de recolher nos fins de semana do decreto e vale também para quem permitir a abertura de igrejas. Desde o início da pandemia, 4.865 pessoas morreram vítimas da Covid-19 no Estado e o número de infectados já passa dos 235 mil. E só para complicar, a ocupação de UTIs é de 93% na Região Metropolitana de João Pessoa, 77% em Campina Grande e 91% no Sertão. A situação, por isso, merece mais atenção e menos briga política.

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