Executivo
Marcelo Queiroga será um bom ministro, se respeitar a própria biografia
15/03/2021 20:32
Suetoni Souto Maior
Marcelo Queiroga gera desconfiança em colegas após ser escolhido para o Ministério da Saúde. Foto: Reprodução/Facebook

O médico paraibano Marcelo Queiroga vai assumir o Ministério da Saúde. Será o quarto na pasta mais conturbada do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Ele assume o comando o cargo no momento mais grave da pandemia, em substituição ao general Eduardo Pazuello. De vantagem para o atual presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, há o consenso de que ele não precisará fazer muito para superar o confuso e atrapalhado ministro militar.

A escolha de Queiroga acontece no momento em que o Brasil se aproxima de 280 mil mortes causadas pela Covid-19. Um número construído em meio a políticas equivocadas ditadas pelo presidente e que só Pazuello, que se colocava como “ajudante de ordens”, aceitou implementar. O país patina na compra de vacinas meio como um castigo por ter priorizado o discurso ideológico, fundado na crença de que medicamentos sem comprovação curavam.

E é neste cenário que muitos ficam reticentes ao invés de apostar todas as fichas na escolha do médico paraibano. Não dá para aferir que nível de comprometimento o cardiologista admitiu ter com as propostas nada ortodoxas do presidente, que se mostrou um fracasso mundial no enfrentamento da pandemia. Os antecessores com formação médica (Henrique Mandetta e Nelson Teich) não suportaram muito. A história mostrou que eles estavam certos ao deixarem o governo.

No currículo, Marcelo Queiroga traz conceitos rigorosos de apego à ciência. Isso é bom para o momento atual. Afinal, todos sabem que para fazer frente à pandemia, o caminho é vacinar. Os recantos do mundo que conseguiram números animadores no enfrentamento à Covid-19 o fizeram com imunização. Cloroquina, Ivermectina e coisas do gênero têm não salvaram ninguém. Afinal, a cura por estes meios depende da fé. Se der certo, ótimo. Se morrer, foi Deus quem quis.

Marcelo Queiroga tem boa relação com o presidente e transita bem entre os médicos brasileiros. O cardiologista integrou, como convidado, a equipe de transição de Bolsonaro, dando apoio técnico na área da saúde. Mais recentemente, foi nomeado para assumir uma posição na diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Com o nome bem posicionado, ele poderá, se quiser, fazer diferente do general na tentativa de salvar vidas. Repito, não precisará fazer muito para superar o general.

A desconfiança em relação a Queiroga, no entanto, vem da forma que ele chega ao cargo. A escolha acontece depois do não dado pela médica Ludhmila Hajjar, do Hospital Vila Nova Star, de São Paulo. Ela tem posições muito claras em relação ao momento atual do Brasil. Defende o distanciamento social e o uso da vacina como caminho único para o enfrentamento a pandemia. As posições da médica, claramente inegociáveis, assustou o presidente.

Para alguns médicos ouvidos pelo blog, há dúvidas sobre o quanto Queiroga terá liberdade para algo fora do negacionismo estatal. Se ele conseguir fugir à escrita, será ótimo para o Brasil. Se não, Deus tenha piedade desta país.

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