Executivo
João faz ato político para mostrar força, reúne lideranças, mas base de apoio ainda é campo minado
14/07/2022 23:27
Suetoni Souto Maior
Lideranças e militância foram arregimentadas para o evento. Na foto, Cícero Lucena e João Azevêdo. Foto: Divulgação

O governador João Azevêdo conseguiu o que queria, nesta quinta-feira (14). A primeira das plenárias programadas pelo partido dele, o PSB, conseguiu reunir lideranças de pelo menos 12 siglas, com destaque para o PP e o Republicanos. As duas agremiações rivalizam, na base de apoio do socialista, para indicar o vice na chapa de reeleição que será encabeçada pelo gestor. O primeiro round desta disputa nada silenciosa, por assim dizer, contou com uma articulação forte do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), ligando para lideranças de partidos aliados. A ideia era mostrar a força da sigla. E conseguiu.

O leitor pode se perguntar: mas porque a necessidade de mostrar força neste evento? A explicação é simples: o PP do deputado federal Aguinaldo Ribeiro tem se engalfinhado com o Republicanos, do também deputado federal Hugo Motta nos últimos meses. O primeiro motivo dizia respeito à indicação para o Senado na chapa. Os Republicanos defendem o apoio ao deputado federal Efraim Filho (União). Acontece que Efraim foi para a oposição e levou consigo o apoio da sigla. Por outro lado, Aguinaldo tentava este mesmo apoio para disputar a vaga. Sem isso, ele desistiu e agora quer a vice para o partido dele. Esse fato melindrou o partido de Hugo Motta, que também sonha com esse espaço.

Em meio à queda de braço, nem Aguinaldo nem Hugo Motta estiveram presentes no evento desta quinta-feira. Os dois, no entanto, se fizeram representar por pessoas próximas. Aguinaldo enviou o sobrinho, Lucas Ribeiro, nome do partido indicado para a vaga de vice. E ainda tinha Cícero Lucena na plenária, com papel importante no carreamento de lideranças para o encontro. Já Hugo Motta foi representado pelo pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley, além do deputado estadual Wilson Filho, indicado do partido para a vice.

O Clube Cabo Branco, em João Pessoa, ficou lotado, como era o esperado. Isso sempre ocorre em eventos promovidos pelos governadores/candidatos. A caneta é pesada e produz frutos na hora de juntar gente. Até porque duas coisas conseguem arregimentar apoiadores: poder e perspectiva de poder. E quem está no cargo consegue as duas coisas. O evento, por isso, reuniu lideranças ligadas a PSB, Progressistas, Republicanos, PSD, PV, Rede, PC do B, Podemos, Avante, Solidariedade, PMN e Agir 36. Além deles, estavam por lá, também, nomes e bandeiras ligadas ao próprio PT.

As duas últimas siglas estão federadas junto com o PV e, pelo andar da carruagem, devem integrar a chapa que será encabeçada pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). A decisão final será da Federação Nacional. Mesmo assim, não é difícil imaginar que lideranças dos dois partidos fujam à regra e apoiem Azevêdo. O combustível para isso foi dito pelo próprio governador durante o evento. Ele reafirmou a disposição de votar no ex-presidente Lula (PT), visando as eleições deste ano, no confronto contra o presidente Jair Bolsonaro (PL).

As plenárias vão ser realizadas em outras cidades com articulação de lideranças locais. A expectativa, no entanto, continua girando em torno do futuro da coligação destes partidos e, principalmente, rem relação à configuração da chapa majoritária. Há muitas interrogações e uma dificuldade considerável de elas serem resolvidas. A grande questão é como João vai definir o vice na chapa entre Republicanos e PP sem que um deles rompa. A hipótese de ficar de fora é rechaçada pelos dois lados. O que fica claro nisso tudo, porém, é que chegará o momento em que a festa não será suficiente e o governador terá que tomar uma posição.

O período para as convenções partidárias começa no dia 20 deste mês e se estende até o dia 5 do mês que vem. O tempo urge.

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