Gato escaldado tem medo de água fria, diz um ditado antigo e eternamente em voga na política. E é justamente com essa máxima que o governador João Azevêdo (PSDB) tem tratado o assunto “eleição para presidente da Assembleia Legislativa”. Da última vez que ele inventou de se envolver nisso, acabou dando com os burros n’água. Foi em 2019. O favorito do governo, na época ainda influenciado pelo ex-governador Ricardo Coutinho (PT), era Hervázio Bezerra (PSB). O nome era dado como certo para, pelo menos, um dos dois biênios da atual legislatura.
Não deu. No dia da votação, uma manobra ousada do atual presidente da Casa, Adriano Galdino (Republicanos), fez com que o nome dele fosse referendado para dois mandatos seguidos à frente da Assembleia Legislativa. Tudo isso diante diante de um Hervázio Bezerra que assistiu incrédulo à rasteira recebida, fruto de uma articulação bem feita ocorrida nos bastidores. Restou ao governo, mesmo com os resmungos, engolir a seco a vontade soberana dos parlamentares e trabalhar com um único presidente do Legislativo durante os quatro anos.
O que se vê agora, quatro anos depois, é mais do mesmo. O governador conseguiu construir em torno de si uma base formada por 22 deputados, eleitos no pleito de outubro. Daí surgiram vários deputados que buscam a eleição em um dos biênios. O desenho mais provável tem sido o da eleição de Wilson Filho para o primeiro e o de Adriano Galdino para o segundo. O fato de ambos serem do Republicanos causou resistência na base, apesar de haver informações de bastidores dando conta de um acordo entre a sigla e o governador, construído no segundo turno das eleições.
Acontece que o “dream team” encampado por expoentes do Republicanos precisa primeiro aparar as arestas dentro do partido, antes de se tornar competitivo. É que o deputado Branco Mendes também briga por um dos biênios. Há ainda outros nomes fortes correndo por fora e entrar nessa briga, para o governador, é correr o risco de iniciar o novo governo já com uma derrota, repetindo 2019. O melhor, por isso, é seguir a receita atual, com a estratégia ‘cerca Mané’, muito usada no futebol, evitando dar canelada. Até porque um movimento brusco pode levar à eleição de um adversário.
Aí, sim, a dor de cabeça estaria feita.
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