Executivo
Inferno astral: em gravações, ex-cunhada de Bolsonaro aponta presidente como ’01 das rachadinhas’
05/07/2021 08:20
Suetoni Souto Maior
Andréa Siqueira Valle diz que o irmão foi demitido do gabinete do então deputado federal por se negar a devolver a maior parte dos salários. Foto: Divulgação

A fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), contou, em gravações inéditas que Bolsonaro demitiu um irmão dela chamado André Siqueira Valle porque ele se recusou a entregar a maior parte do salário de assessor do então deputado federal. As informações são da colunista Juliana Dal Piva, do Uol, e surgem no momento em que o presidente encara denúncias de corrupção no processo de compra de vacinas pelo governo federal.

Até hoje, apesar das denúncias envolvendo os filhos do presidente, principalmente o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ), Jair Bolsonaro nunca esteve no centro das denúncias. A declaração da ex-cunhada é o primeiro indício de envolvimento direto do gestor em um esquema ilegal de entrega de salários, conhecido como rachadinha, dentro de seu próprio gabinete no período em que foi deputado federal. Ele ocupou o mandato de parlamentar na Câmara dos Deputados entre os anos de 1991 e 2018.

Andrea e André são irmãos de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente. Nas gravações, Andrea contou que Bolsonaro exigia grande parte dos salários dos parentes da companheira que foram nomeados nos gabinetes da família Bolsonaro. De acordo com ela, o então deputado federal chegou a retirar um familiar dela do esquema por não entregar o valor combinado, quase 90% do salário. Ela foi a primeira dos 18 parentes da segunda mulher do presidente que foram nomeados em um dos três gabinetes da família Bolsonaro (Jair, Carlos e Flávio).

E o Queiroz?

O policial militar reformado Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, não teria sido o único “recolhedor” das supostas rachadinhas. Um coronel da reserva do Exército teria atuado no recolhimento de salários do antigo gabinete de Flávio na Alerj. O suspeito seria o coronel Hudson, que foi colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) nos anos 1970. Ele constou como assessor de Flávio na Alerj, de junho a agosto de 2018.

O coronel, vale ressaltar, segundo pessoas ouvidas pela jornalista do Uol, é conhecido há muitos anos como funcionário da família Bolsonaro e sempre transitou junto ao clã. Andrea afirmou que a maior parte do salário que recebia do gabinete do filho mais velho do presidente era recolhida pelo coronel da reserva do Exército Guilherme dos Santos Hudson. Os áudios podem ser ouvidos no vídeo abaixo.

Ao ser informado sobre as gravações de Andrea Siqueira Valle, o advogado Frederick Wassef, que representa o presidente, negou ilegalidades e disse que existe uma antecipação da campanha eleitoral de 2022. Wassef afirmou à coluna que os fatos narrados por Andrea “são narrativas de fatos inverídicos, inexistentes, jamais existiu qualquer esquema de rachadinha no gabinete do deputado Jair Bolsonaro ou de qualquer de seus filhos”. Ele disse que se trata de uma “gravação clandestina à qual não tenho acesso, não conheço o conteúdo e não foi feita perícia”.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni

Palavras Chave