Legislativo
Hugo Motta sob fogo cruzado: Centrão quer romper pacto com PT pela relatoria da LDO
03/06/2025 12:01

Beatriz Souto Maior

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), está no centro de uma disputa de bastidor que envolve o coração do poder em Brasília: o controle do Orçamento em ano de eleição. Deputados do Centrão pressionam o paraibano a romper o acordo costurado com o PT, que previa a entrega da relatoria da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 ao deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

O combinado foi fechado em fevereiro, como moeda de troca pelo apoio da bancada petista à eleição de Motta. Agora, os parlamentares do bloco querem ver o compromisso rasgado. O motivo? Evitar que alguém alinhado ao Palácio do Planalto tenha poder para definir os rumos da execução orçamentária em um ano em que prefeitos — e seus padrinhos parlamentares — estarão em campanha.

O objetivo é claro: garantir prioridade absoluta às emendas parlamentares e reduzir a margem de manobra do governo federal na hora de pagar a conta. Para isso, o Centrão quer emplacar um relator “independente” — ou, nas entrelinhas, alguém mais comprometido com a base eleitoral do que com a responsabilidade fiscal.

Segundo a Folha de São Paulo, três parlamentres relataram que Motta ouviu os argumentos e acenou com a possibilidade de reabrir a negociação. Mas o PT não abre mão do que considera um compromisso selado. A legenda já formalizou a indicação de Zarattini à Comissão Mista de Orçamento. Se o presidente da Câmara recuar, o gesto será lido pelos petistas como quebra de acordo.

O impasse travou o andamento da LDO no Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda não encaminhou o texto à comissão. A relatoria está em aberto, e a queda de braço segue nos bastidores.

O pano de fundo da disputa é a lentidão na liberação das emendas em 2025. Até agora, menos da metade dos R$ 50,4 bilhões programados foi empenhada. O governo alega que a culpa foi do próprio Congresso, que só aprovou o Orçamento em março. Já o Centrão vê nisso mais um motivo para reforçar as amarras ao Executivo no próximo ano.

O deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), um dos articuladores do movimento, foi direto: “Não é por ser o Zarattini, é por ser alguém do partido do governo. O Executivo já elaborou o projeto. Agora precisamos de alguém que faça o contraponto.”

No meio do fogo cruzado, Hugo Motta tenta equilibrar os pratos: manter o apoio do governo sem contrariar o bloco que o sustenta. Mas, cedo ou tarde, terá que tomar um lado. E a escolha pode custar caro em qualquer direção.

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