As declarações com viés separatista do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (PL), provocou fortes reações de indignação entre os políticos paraibanos. Em entrevista publicada no último sábado (5), no Jornal O Estado de São Paulo, o gestor defendeu a união dos estados do Sul e do Sudeste contra o Nordeste. O mandatário também criticou a existência de medidas voltadas para a correção da desigualdade regional e justificou a medida com o argumento de que o Nordeste é uma vaquinha que produz pouco. A reação foi imediata entre os nordestinos e até sulistas e “sudestinos”.
O prefeito Cícero Lucena (PP) foi quem usou o adjetivo mais forte frente às declarações do gestor mineiro, que tenta se cacifar para atrair o eleitor bolsonarista para as eleições de 2026. As declarações de Zema foram consideradas manifestações fascistas pelo prefeito paraibano. Lucena criticou o estímulo ao divisionismo nacional. Na entrevista, Zema contesta a visão diferenciada que o Norte e o Nordeste, regiões com os estados mais pobres do país, tem recebido em relação a políticas públicas. O gestor pessoense, diante disso, sugeriu que o governador mineiro abra mão dos benefícios recebidos pelos municípios do Vale do Jequitinhonha.
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Minas Gerais, assim como o Espírito Santo, integram a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), por possuírem municípios que sofrem com as secas, assim como a maior parte das cidades nordestinas. No mesmo norte, o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), classificou Zema de “preconceituoso”. “Enquanto nós defendemos mais dignidade para o nosso povo com políticas públicas, o governador Zema busca um caminho contrário à união que tanto precisamos neste momento. Precisamos de políticos que lutem por melhores condições de vida para a população”, resumiu.
O primeiro a protestar contras as declarações de Zema foi o deputado federal Gervásio Maia (PSB). Ele se manifestou sobre o assunto ainda no sábado. “Em fala vergonhosa, Romeu Zema anuncia frente dos estados do Sul e Sudeste CONTRA o Nordeste. Fomenta a polarização do país para capitalizar os radicais e o espólio bolsonarista. Governador, o Nordeste é maior que sua miopia e seu preconceito. Somos um só povo, um único Brasil”, disse Gervásio Maia em postagem nas redes sociais.
O governador João Azevêdo (PSB) assinou a carta representando o Consórcio de Governadores do Nordeste, que é comandado por ele. “Enquanto Norte e Nordeste apostam no fortalecimento do projeto de um Brasil democrático, inclusivo e, portanto, de união e reconstrução, a referida entrevista parece aprofundar a lógica de um país subalterno, dividido e desigual. […] A união regional dos estados Nordeste e, também, os do Norte, não representa uma guerra contra os demais estados da federação”, alegou o Consórcio Nordeste, em nota.
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