Executivo
‘Escândalo dos pastores’ no Ministério da Educação vira pesadelo para Bolsonaro no ano eleitoral
24/03/2022 14:15
Suetoni Souto Maior

O escândalo dos pastores no Ministério da Educação tem dado provas de que poderá ser convertido em uma grande dor de cabeça para o presidente Jair Bolsonaro (PL), em pleno ano eleitoral. A cada dia surgem informações vindas agora de prefeitos que foram procurados pelos religiosos e que dizem ter recebido pedidos de propina. O ponto comum, em todos os depoimentos, até agora, foi o pedido de “sinal” de R$ 15 mil só para protocolar o pedido no Ministério. O passo seguinte varia com pedidos exóticos como “um quilo de ouro”, dinheiro vivo e até mesmo votos para eleger políticos ligados aos pastores.

A Frente Parlamentar da Educação no Congresso já se movimenta para tentar emplacar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as denúncias. Os desgastes gerados pela CPI da Pandemia, no ano passado, são prova do resultado danoso que uma investigação do gênero pode ter sobre a avaliação do governo no momento em que o presidente tenta a reeleição. Até porque a tradição diz que todos sabem como as investigações são iniciadas, mas nunca como elas terminam.

As denúncias são relacionadas às atuações dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, que não têm cargo no governo e atuam como lobistas no Ministério da Educação. Em áudios gravados com a voz do ministro Milton Ribeiro, ele diz ter sido escalado pelo presidente para atender todos os prefeitos indicados por Gilmar Santos. E pior, ele fala em contrapartida para a construção de igrejas. As declarações, diga-se de passagem, já passavam longe dos princípios da publicidade, impessoalidade e legalidade que devem nortear o serviço público. E a coisa dica pior a cada dia.

O prefeito Kelton Pinheiro (Cidadania), da cidade goiana de Bonfinópolis, relatou que o pastor Arilton Moura pediu R$ 15 mil de propina para enviar verbas do Ministério da Educação para o município. “‘Papo reto aqui. Eu tenho recurso para conseguir com você lá no ministério, mas eu preciso que você coloque na minha conta hoje R$ 15 mil. É hoje. E porque você está com o pastor Gilmar aqui, senão, pros outros, foi até mais’. Achei muito estranho, não tinha interesse”, contou Kelton.

Já o prefeito do município de Luis Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB), disse que o pastor Arilton Moura – ligado ao gabinete paralelo no Ministério da Educação -, solicitou R$ 15 mil antecipados para protocolar as demandas da cidade junto a pasta. Além disso, pediu o pagamento em um quilo de ouro após a liberação dos recursos para construção de escolas e creches. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo.

Nesta quinta-feira (24), a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou convite para que o ministro dê explicações sobre o suposto favorecimento a pastores na liberação de verbas da pasta. Também foi aprovada uma audiência para ouvir outros envolvidos no caso, entre eles os dois pastores supostamente favorecidos pelo ministro, Gilmar Silva e Arilton Moura, além do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Marcelo Lopes da Ponte (leia mais abaixo). O ministro deve ser ouvido na próxima quinta (31), o que foi considerado uma vitória diante dos fatos ocorridos nesta semana.

De todos os lados têm surgido cobranças para que o ministro seja demitido. Se a mudança for efetivada, teremos o quinto ministro sa Educação em três anos, um recorde absoluto. A medida seria uma cautela por causa das investigações que devem vir da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Desde o início das denúncias, o ministro cai em contradição uma vez atrás da outra. Em questão de minutos desdiz informações repassadas anteriormente. O desgaste é inevitável. Resta saber o inpacto final.

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