Executivo
Entre denúncias de tráfico de influência e insinuações de abandono: a meteórica carreira política de Queiroguinha
20/08/2022 07:12

Suetoni Souto Maior

Queiroguinha se firmou entre os principais apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

O estudante de medicina Antônio Cristóvão de Araújo Silva Neto, o Queiroguinha (PL), causou surpresa nesta sexta-feira (19) ao protocolar na Justiça Eleitoral um pedido de desistência da disputa por um cargo de deputado federal. O postulante chegou a ser relacionado entre os principais nomes do partido para o pleito, mas viu as chances caírem por terra ainda na pré-campanha por causa de denúncias envolvendo o nome dele e falta de espaço no partido. O resultado disso foi visto com a entrega da carta em que manifesta a desistência em caráter “irrevogável”.

A principal denúncia relacionada a Queiroguinha diz respeito ao tráfico de influência no Ministério da Saúde, comandado pelo pai, Marcelo Queiroga. O jornal O Globo publicou várias notícias mostrando fotos e depoimentos de prefeitos que conseguiram acesso à Esplanada dos Ministérios e a convênios intermediados pelo estudante, sem a necessidade de agenda. Dos encontros saíram promessas de investimentos nas cidades e potenciais apoios ao pretenso parlamentar. Os casos acabaram desgastando o candidato entre os outros postulantes à vaga de deputado no partido do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Pessoas próximas ao postulante relataram ao blog que a partilha dos recursos do fundo partidário também tem se apresentado como um problema, assim como em vários partidos. Este, até agora, não foi o problema relatado por Queiroguinha. O herdeiro do ministro Marcelo Queiroga vinha se inserindo no debate político no lugar do pai, que chegou a ser cotado para o governo do Estado ou para a disputa do Senado, mas acabou preferindo se manter no Ministério da Saúde por falta de cancha eleitoral. O pai do candidato se firmou como um dos principais ministros de Bolsonaro, inclusive no alinhamento ideológico.

Queiroguinha é, portanto, um exemplo claro de candidato que esperava herdar do pai um espólio eleitoral que não existia de fato. E sem a estrutura do Ministério da Saúde para turbinar a postulação, restou a saída da candidatura pela porta dos fundos. Segue o jogo…

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