O presidente Lula (PT) cobrou durante reunião ministerial, nesta terça-feira (26), o mesmo que os petistas paraibanos vêm cobrando desde o início do atual mandato: fidelidade dos ministros indicados pelo centrão, notadamente os do PP e do União Brasil. Durante fala no Palácio do Planalto, o gestor chegou a sugerir que os auxiliares de pastas importantes deixem o governo se não se sentirem confortáveis em defendê-lo. Atualmente, dois nomes com raízes na Paraíba integram pastas importantes do governo: o presidente da Caixa Econômica, Carlos Vieira, e o ministro Frederico de Siqueira Filho (Comunicações).
De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, ao final da reunião, ao fazer um discurso político, Lula dirigiu-se diretamente aos ministros do União Brasil e do PP, para cobrar a defesa da gestão petista durante atos de oposição organizados por seus partidos. Dizendo-se defensor de sua equipe, sem distinção partidária, o presidente afirmou esperar que seus ministros defendem sua administração. Ele chegou a dizer que continuaria amigo de seus ministros, mas que eles se sentissem à vontade para conversar sobre seus futuros e seguissem seus caminhos.
O PP e o União Brasil formalizaram federação na semana passada, quando dobraram as críticas contra o governo federal. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), chegou a se dizer constrangido por seu partido ter um ministro no governo, em referência a Sílvio Costa Filho (PE), ministro dos Portos e Aeroportos. No caso de Siqueira Filho, que é nascido em Pernambuco mas vive na Paraíba, a indicação é do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas as relações mais antigas dele são com o senador Efraim Filho, também do União Brasil, e que rompeu recentemente com o governo para receber o apoio do PL na Paraíba.
Já Carlos Vieira é indicação do PP de Aguinaldo Ribeiro. As falas de Lula incomodaram também os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte), deputados federais licenciados pelo União Brasil e PP, respectivamente. Ambos foram conversar com o presidente após o discurso. Em eventos recentes, inclusive na Paraíba, a queixa dos petistas eram de que as agendas de ministros no Estado eram eminentemente voltadas para políticos ligados ao bolsonarismo.
Seja qual for a decisão de Lula (ou dos ministros), o fato é que PP e União Brasil seguirão caminhos distintos do petista em 2026. A tendência é que apoiem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a disputa do Planalto.
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