Executivo
Em carta, João e outros 15 governadores acusam Bolsonaro de distorcer dados da pandemia
01/03/2021 12:23
Suetoni Souto Maior
João Azevêdo (D) diz que o momnto é o de busca de vacinas, não de eventos com grande aglomeração. Foto: Divulgação/Secom-PB

O governador da Paraíba, João Azevêdo (Cidadania), engrossou o coro de 16 gestores estaduais que divulgaram carta, nesta segunda-feira (1º), com críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente foi acusado de “produzir informação distorcida” para “gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais”. O documento foi divulgado após Bolsonaro usar divulgar números falsos indicando o investimento federal no enfrentamento os casos da Covid-19.

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A carta foi divulgada em resposta a publicações do presidente Jair Bolsonaro e de auxiliares ao longo do fim de semana que procuraram jogar para os estados a culpa pelo Brasil atravessar o pior momento da pandemia de Covid-19, com aumento de números de casos e mortes e escassez de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva). Assinam a carta inclusive aliados de Bolsonaro como o governador interino do Rio, Cláudio Castro (PSC), e os governadores do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

“Mais uma vez, o governo federal utiliza instrumentos de comunicação oficial, bancados por gastos públicos, para produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais”, diz a carta dos governadores. Os gestores fazem referência à publicação de vídeo neste fim de semana que fala sobre os repasses federais para os estados no ano passado. O conteúdo traz a insinuação de que os recursos não foram investidos de forma adequada.

“Em meio a uma pandemia mundial de proporção talvez inédita na história e a uma gravíssima crise econômica e social, a prioridade parece ser criar confrontos, construir imagens maniqueístas e minar ainda mais a cooperação federativa essencial aos interesses da população”, seguem os governadores na carta.

Os governadores dizem que a postagem contabiliza majoritariamente valores que, por obrigação constitucional, pertencem a estados e municípios, citando FPE (Fundo de Participação dos Estados), FPM (Fundo de Participação dos Municípios), Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), SUS e royalties.

Os 16 governadores que assinam a carta são:

Renan Filho, Alagoas

Waldez Góes, Amapá

Camilo Santana, Ceará

Renato Casagrande, Espírito Santo

Ronaldo Caiado, Goiás

Flávio Dino, Maranhão

Helder Barbalho, Pará

João Azevedo, Paraíba

Ratinho Júnior, Paraná

Paulo Câmara, Pernambuco

Wellington Dias, Piauí

Cláudio Castro, Rio de Janeiro

Fátima Bezerra, Rio Grande do Norte

Eduardo Leite, Rio Grande do Sul

João Doria, São Paulo

Belivaldo Chagas, Sergipe

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