Executivo
“Degola” imposta pelo PSDB foi saída honrosa para Dória, dono de uma candidatura que não empolgou
23/05/2022 13:32
Suetoni Souto Maior
João Dória se disse com o "coração leve" ao deixar a candidatura. Foto: Reprodução/Youtube

“Para as eleições deste ano me retiro da disputa com o coração ferido, mas com a alma leve”. A declaração é do ex-governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que anunciou nesta segunda-feira (23) a desistência da disputa pela Presidência da República. Foi o desabafo de uma liderança que chega a um momento crucial para o pleito ostentando vexatórios 3% da preferência do eleitor, aferidos pela última pesquisa do Datafolha. O tucano, por isso, vem sofrendo pressão gigante do partido nos últimos dias. Os dirigentes temem usar recursos do fundo eleitoral com risco de repetir o pífio desempenho de 2018.

O movimento pró-desistência de Dória vem crescendo desde o fim do ano passado, quando ele venceu as prévias do partido. O fato de ter superado na disputa interna o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, no entanto, não serviu para empolgar os colegas de partido. Lideranças como o ex-presidenciável e atual deputado federal Aécio Neves (MG) vinham se opondo ao projeto próprio do partido. A tese em curso é a de apoio à pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS), apesar de ela ter pontuação ainda pior que o ex-governador de São Paulo nas pesquisas, com inexpressivo 1%.

O desabafo de João Dória foi feito durante entrevista coletiva, nesta segunda, após reunião com lideranças do partido. Apesar de ter lutado nos últimos dias para manter a candidatura, lembrando que foi vencedor de três prévias no partido (2016, 2018 e 2022) e que foi eleito nas duas primeiras, ele vem encarando grande resistência interna. A retirada da candidatura, portanto, pode ser encarada como uma saída honrosa para um ex-governador que teve desempenho importante na pandemia. Como inibidor, os dirigentes tucanos lembram a candidatura do também ex-governador paulista, Geraldo Alckmin (hoje no PSB) em 2018. Ele terminou a corrida eleitoral com míseros 4,7% dos votos.

Essa falência do PSDB enquanto partido nacional ocorreu por causa do surgimento do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição passada como um poderoso adversário do petismo. Isso fez com que o espólio tucano passasse completamente para o atual gestor e nada indica que este cenário é reversível para o pleito deste ano. Os eleitores do PSDB de eleições passadas, muito claramente, têm se sentido melhor representado pelo atual presidente. Ele é o maior opositor ao ex-presidente Lula, atual líder das pesquisas, seguido de perto pelo postulante do PL.

A tendência, agora, é que os dirigentes tucanos anunciem voto em Simone Tebet, que, por outro lado, enfrenta dificuldades também no MDB. Grande parte das lideranças da sigla, sobretudo no Nordeste, prefere apoiar Lula para as eleições deste ano. A postulante, no entanto, espera crescer com apelo ao voto feminino. As mulheres são a maior fatia do eleitorado nacional e também representam a maior fatia do grupo que rejeita Bolsonaro. A eleição deste ano já representa um ponto fora da curva em relação todas ocorridas desde 1994, já que não haverá um tucano encabeçando nenhuma chapa.

A tendência, nos estados, é que os tucanos também ignorem Simone Tebet e se dividam entre os apoios a Bolsonaro ou a Lula, com vantagem por questões ideológicas para o primeiro.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni

Palavras Chave