Executivo
Declarações de Vítor Hugo sobre João Azevêdo mostram que o discurso Efraim Filho já tem para romper
14/03/2022 10:19
Suetoni Souto Maior
Efraim Filho diz ter conquistado o apoio de mais de 100 prefeitos. Foto: Divulgação

O prefeito de Cabedelo, Vítor Hugo (União Brasil), usou as redes sociais nesta segunda-feira (14) para fazer cobranças direcionadas ao governador João Azevêdo (PSB). O cerne da questão é a aproximação crescente entre o gestor e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP). Todas as declarações recentes do titular do Executivo Estadual apontam na direção da exclusão de Efraim Filho (União Brasil) do palanque. O gestor costuma dizer que não vai admitir no palanque dele quem não vote no ex-presidente Lula (PT), apoiado pelo socialista.

Essa premissa exclui Efraim, apesar de o histórico de Aguinaldo Ribeiro junto à esquerda não ser dos melhores. Ele foi ministro de Dilma Rousseff (PT) e votou pelo impeachment. Mas apesar disso, não teria dificuldade para manifestar voto em Lula, um requisito exigido pelo governador. O caso de Efraim é diferente. Ele esteve a vida inteira no flanco contrário ao PT e teria muita dificuldade de manifestar apoio ao petista. Ele permaneceu no DEM (que se tornou União Brasil ao se fundir com o PSL) mesmo quando o poder de Lula era quase incontestável.

A cobrança de Vitor Hugo, por isso, falando em abandono, assume o papel de criar uma onda em torno de um possível rompimento, para justificá-lo. O prefeito lembra que Efraim Filho esteve ao lado do governador desde a eleição, ajudando a elegê-lo no primeiro turno do pleito de 2018. Para ele, o natural seria que o mais cotado para assumir o espaço na chapa fosse o militante do União Brasil. Já Aguinaldo Ribeiro é lembrado como alguém que estava na oposição e acabou se tornando caro aos socialistas por causa da eleição de Cícero Lucena (PP), em João Pessoa. Cícero, vale lembrar, apoia Aguinaldo.

Há entre os governistas quem defenda que Efraim Filho assuma vaga de vice na chapa, mesmo assim, isso não resolveria o problema. Não resolveria porque o próprio João Azevêdo cobra o voto dele em Lula, o que é difícil de imaginar. Se não houver a composição, o postulante terá que se agregar a outro projeto. Pode ser o de Pedro Cunha Lima (PSDB). O deputado federal tucano tem afinidade política com Efraim e isso facilitaria o entendimento. Esta solução precisa ser rápida, por causa do surgimento do pastor Sérgio Queiroz (PRTB) como opção.

Os rompimentos, geralmente, seguem um rito. O primeiro passo é mandar recados por aliados. O segundo é cobrar uma posição. Em todo o processo, o discurso para justificar o afastamento vai sendo construído. Mas neste caso em específico, me parece que as justificativas já estão prontas.

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