Executivo
Datafolha: maioria dos brasileiros rejeita gestão de Bolsonaro na Pandemia
17/03/2021 07:49
Suetoni Souto Maior
Popularidade de Jair Bolsonaro tem “sofrido” com os números da pandemia do novo Coronavírus. Foto Marcos Corrêa/PR

A substituição do atrapalhado general Eduardo Pazuello pelo médico cardiologista paraibano, Marcelo Queiroga, no comando do Ministério da Saúde, tem motivação grave. Assim como o número de mortes causadas pela pandemia do novo Coronavírus bate recorde, a rejeição ao presidente na condução da crise também foi para as alturas. Ele é rejeitado, hoje, por 54% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha.

Os números publicados pela Folha de São Paulo nesta quarta-feira (17) mostram que o preço pago pelo gestor pela má condução da crise. Isso, principalmente, por conta da demora da chegada das vacinas. Segundo o Datafolha, 54% dos brasileiros veem a atuação de Bolsonaro como ruim ou péssima na semana em que foi apresentado o quarto ministro da Saúde de seu governo. Na pesquisa passada, realizada em 20 e 21 de janeiro, 48% reprovavam o trabalho de Bolsonaro.​

Houve queda, consequentemente, no número das pessoas que acham a gestão da crise ótima ou boa. Ela passou de 26% para 22%, enquanto quem a vê como regular foi de 25% para 24%. Não opinaram 1%. O instituto ouviu por telefone 2.023 pessoas nos dias 15 e 16 de março. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. O presidente é o principal culpado pela fase mais aguda da pandemia na avaliação de 43% dos ouvidos pelo instituto. Mais de 280 mil pessoas morreram.

Já os governadores de estado, que em grande parte têm se batido com o governo federal por defenderem medidas mais rígidas de isolamento social, são vistos como culpados por 17%. Prefeitos ficam com 9% das menções. A má imagem do presidente, que dificultou o início do ora lento processo de vacinação, impacta diretamente a avaliação geral de seu governo. Segundo aferiu o Datafolha, ela segue no pior nível desde que Bolsonaro assumiu, em 2019.

Reprovam o presidente 44%, uma oscilação positiva quase saindo do limite da margem de erro ante os 40% registrados em janeiro. A aprovação e o julgamento como regular seguem estáveis, de 31% para 30% e de 26% para 24%, respectivamente. O cenário agora repete o pior já registrado, em junho do ano passado. Nas duas medições seguintes, sob o impacto do auxílio emergencial, visitas ao Nordeste e o arrefecimento do embate institucional por parte de Bolsonaro, o presidente viu sua popularidade crescer.

Com o fim do auxílio, conjugado com o recrudescimento da pandemia devido às novas e mais transmissíveis variantes do Sars-CoV-2, a curva voltou a inverter-se.

Nordeste

O Nordeste continua sendo a região onde o presidente tem a pior avaliação. Ele é rejeitado por 49% dos moradores do Nordeste. A região é a mais atendida por políticas assistencialistas e a segunda mais populosa (27% da amostra do Datafolha). Nas fortalezas bolsonaristas do Sul (13% da amostra) e Norte/Centro-Oeste (17%), a aprovação é maior do que na média, em iguais 39% nos dois lugares.

No mais, Bolsonaro segue mais rejeitado entre os mais instruídos (55% de ruim e péssimo) e entre os mais ricos (54%). Sua aprovação é maior também entre quem ganha de 2 a 5 salários mínimos (35% de ótimo e bom) e no nicho evangélico (37%), que perfaz 24% da população ouvida.

Palavras Chave