Covid-19
Covid-19: ineficiência do governo federal põe em risco a 2ª dose da vacina na PB
24/04/2021 07:53
Suetoni Souto Maior
Redução da idade atendida deve ocorrer de forma gradativa, diz prefeitura. Foto: Divulgação/ABr

A retomada da vacinação, neste sábado (24), em várias cidades paraibanas, virá acompanhada do risco de perda da eficácia para 40 mil pessoas do Estado que tomaram a primeira dose da CoronaVac. A bula do medicamento estabelece que a segunda dose seja tomada entre o 14º dia e o 28º dia. Acontece que o prazo máximo está esgotado em no mínimo 12 dias no Estado. Em João Pessoa, devido à baixa quantidade de vacinas, são admitidas para a fase de imunização iniciada neste sábado apenas quem tomou vacina até 16 de março. Ou seja, há 40 dias.

A realidade não é diferente na maioria dos outros municípios. Os prefeitos engoliram a lebre dita pelo ex-ministro Eduardo Pazuello (Saúde) e deixaram de guardar a segunda dose. Com isso, a imunização foi acelerada de forma artificial. Bastou o primeiro atraso da China no repasse da matéria prima para que o castelo de cartas naufragasse nos Estados. A CoronaVac foi a vacina mais aplicada na Paraíba e que tem o menor prazo para o retorno. O caso da AstraZeneca é diferente. A segunda dose deve ser tomada em até 90 dias.

Daí temos um grande problema. Nesta sexta-feira, começaram a ser distribuídas as 59,3 mil vacinas contra a Covid-19 na Paraíba. O material vindo do Ministério da Saúde traz com ele uma grande contradição. Tínhamos uma demanda mínima de 40 mil vacinas da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan. Só que chegaram apenas 11,8 mil delas. Ou seja, apenas 29,5% da demanda mínima. Sim, porque este dado de 40 mil vacinas em atraso data de uma semana atrás. Já da AstraZeneca, da Fiocruz, menos urgente para o momento, vieram 47,5 mil.

É um misto de incompetência conjuntural e descaso do Ministério da Saúde, que não se programou com antecedência para o período de vacinação. No ano passado, obedecendo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Pazuello desistiu da compra antecipada dos imunizantes. Em relação à CoronaVac, dada a distância pequena entre a primeira e a segunda dose, o conselho do ex-ministro figurou quase como um suicídio. Temos mais de 40 mil pessoas com a primeira dose no braço, mas sem poder dizer que estão imunizadas.

O efeito disso é desconhecido pelos pesquisadores. Há quem diga não haver prejuízos e que a segunda dose pode ser aplicada, mesmo com atraso. Outros dizem que a eficácia da vacinação ficará comprometida. E há ainda os que acham que essa imunização pela metade põe não apenas a pessoa em risco, mas a comunidade, por abrir espaço para o surgimento de novas cepas da Covid-19. De todos os ângulos, os cenários apresentam indícios de prejuízo desnecessário para o cidadão.

Uma decisão expedida pela Justiça Federal, recentemente, estabeleceu que o governo federal priorize os paraibanos que tomaram a primeira dose no envio de vacinas e que seja respeitado o limite de tempo estabelecido na bula. Ou seja, se ela indicam prazo máximo de 28 dias, a vacina terá que ser tomada neste período. Mas isso não aconteceu. Ao menos não ainda. Pelo jeito, o caminho traçado pelo governo federal será descumprir a decisão da juíza Cristina Garcês.

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