O presidente Lula (PT) decidiu dobrar a aposta ao escolher a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) para ministra das Relações Institucionais. A pasta é responsável pela ponte entre o Executivo e o Congresso Nacional, uma tarefa que não tem sido fácil, principalmente por causa da baixa na popularidade do gestor. A principal tarefa da nova ocupante da pasta será melhorar a relação da gestão com o Centrão, o que não foi conseguido por Alexandre Padilha, hoje ministro da Saúde.
Nos últimos dias, Lula já demonstrava preferência por Gleisi, destacando sua experiência como ministra da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e seu papel na coordenação da campanha presidencial de 2022. O presidente lembrou que a deputada foi fundamental na construção da aliança que levou à sua vitória sobre Jair Bolsonaro (PL). A preferência de várias lideranças do partido era por José Guimarães (PT-CE), conhecido por ter melhor trânsito com os parlamentares do Centrão.
Nas redes sociais, Lula ressaltou que a parlamentar chega para fortalecer a articulação do governo:
“A companheira e deputada federal Gleisi vai integrar o governo federal. Vem para somar na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, na interlocução do Executivo com o Legislativo e demais entes federados. O Padilha assumirá o Ministério da Saúde. Bem-vinda e bom trabalho”, escreveu.
Por sua vez, Gleisi reforçou o compromisso com o diálogo político:
“Sempre entendi que o exercício da política é o caminho para avançarmos no desenvolvimento do país e melhorar a vida do nosso povo. É com esse objetivo que seguirei dialogando com partidos, governantes e lideranças políticas, como fiz em todas as funções que ocupei.”
Impacto na sucessão do PT
A nomeação de Gleisi abre caminho para a definição do futuro comando do PT. O favorito de Lula para assumir a presidência do partido é o ex-ministro Edinho Silva. No entanto, o Planalto considerava essencial definir o novo papel de Gleisi antes de avançar nessa sucessão.
Gleisi mantém boa relação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Porém, como já reportado, aliados do Centrão vinham demonstrando resistência à permanência do PT no comando da articulação política, especialmente com a saída de Alexandre Padilha. Havia receio de que Gleisi não tivesse bom trânsito com partidos de centro.
Apesar disso, a escolha da deputada foi bem recebida publicamente. Motta e Alcolumbre manifestaram apoio à nova ministra, destacando a importância do diálogo com o Parlamento.
Outros nomes também foram cogitados para a pasta, como Jaques Wagner (PT-BA), o ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e o líder do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões.
Mudanças no governo
A nomeação de Gleisi é a segunda mudança ministerial da semana. Na terça-feira, Lula demitiu Nísia Trindade do Ministério da Saúde e escolheu Alexandre Padilha para ocupar o cargo.
Quem é Gleisi Hoffmann
Ex-ministra da Casa Civil entre 2011 e 2014, Gleisi foi eleita presidente nacional do PT em 2017, quando ainda era senadora pelo Paraná. Desde então, tem sido uma das principais articuladoras políticas do partido.
Nos últimos dias, Gleisi criticou a aprovação de um projeto no Congresso dos EUA que proíbe a entrada do ministro Alexandre de Moraes no país. Segundo ela, trata-se de uma “articulação bolsonarista” que atenta contra a soberania do Brasil.
“O inelegível, seus parentes e foragidos da Justiça brasileira estão desafiando, mais uma vez, as instituições brasileiras e mostrando a quem realmente servem: um país estrangeiro”, declarou em suas redes sociais.
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