Executivo
Ciceristas reclamam, governistas comemoram, mas a verdade é Diego Tavares se manteve onde sempre esteve: no governo
19/02/2026 15:25

Suetoni Souto Maior

Diego Tavares sonha com o retorno ao Senado neste ano. Foto: Divulgação

A saída de Diego Tavares (PP) da base aliada de Cícero Lucena (MDB) tem gerado muito auê na política paraibana. De um lado, o grupo alinhado com a pré-candidatura de Lucas Ribeiro (PP) ao governo comemora. Do outro, aliados do gestor pessoense, também postulante, criticam a postura do até pouco ex-secretário de Direitos Humanos e Cidadania da capital. Entendem que o progressista teria traído o prefeito ao juntar os panos de bunda e migrar para o grupo adversário.

Mas espera aí! Ele não mudou de lado. Estava com Cícero e pode até ter feito juras de amor, mas estava ali também com os Ribeiros. É suplente de senador de Daniella e nunca negou de ninguém o desejo de assumir o cargo mais uma vez. O próprio prefeito disse que esta foi a promessa da senadora para atrair o apoio de Diego para o filho dela no pleito. A parlamentar nega. O caso gera polêmica, no entanto, porque detratores saem logo às redes para lembrar de vastos casos de “traição” envolvendo o politico.

Lembram o passado ideologicamente instável do ex-auxiliar do prefeito Cícero Lucena. Do fato de ter defendido as cores de Ricardo Coutinho (PT), José Maranhão (MDB), Cássio Cunha Lima (PSD) e Luciano Cartaxo (PT), sempre migrando de um para o outro em momentos difíceis. Mas convenhamos. Ele não é o único. O deputado estadual João Gonçalves (PSB) vestiu todas estas cores e mais algumas outras e ninguém liga com isso. E para quem mesmo assim se incomoda, o deputado diz que está sempre com o governo e os outros é que mudam (quer dizer: grupos políticos perdem eleições e deixam o poder. E outros entram).

No caso atual de Diego Tavares há o incômodo, é verdade. Ao contrário do ocorrido em relação a Cartaxo, na sua última migração de grupo, ele agora não pode alegar ‘traição’ do ex-padrinho político. Mas sempre terá a oportunidade de dizer que se mantém no mesmo partido e que foi Cícero Lucena quem migrou para a oposição. Vai colar? Certamente, não, porque ele poderia ter saído antes. E neste caso restará argumentar que é suplente de senador de Daniella Ribeiro e que tem a possibilidade de assumir mais uma vez o cargo, mesmo que por pequeno período. Enfim, retórica existe para todos os gostos.

Afora tudo isso, Diego tem como sonhar com a campanha para uma vaga na Câmara dos Deputados ou, talvez, para suplente de senador. Daqui até às convenções, tudo pode acontecer.

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