Executivo
Aprovação de federação com o PSDB apressa saída de João Azevêdo do Cidania
20/02/2022 09:40
Suetoni Souto Maior
João Azevêdo anuncia seleção depois de recomendação do TCE. Foto: Divulgação/Secom-PB

A aprovação da federação entre o Cidadania e o PSDB, neste sábado (19), era o ingrediente que faltava para o governador João Azevêdo e o grupo dele bater em retirada do partido. A sigla chegou até a aprovar meses atrás a indicação de que o mandatário ficaria à vontade para apoiar o ex-presidente Lula (PT) no Estado. Essa autorização, no entanto, perde o sentido com a junção de interesses dos dois partidos visando as eleições deste ano. Não há como imaginar que os tucanos abram mão de um palanque na Paraíba. Eles têm o governador de São Paulo, João Dória, como pré-candidato à Presidência.

Sem ambiente para permanecer no Cidadania, o destino de João deverá ser o retorno ao PSB, sigla da qual tem convite para filiação. O presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, não tem escondido de ninguém o desejo de abrigar o ex-colega de partido. Nas conversas públicas, ele já reputa ao ex-governador Ricardo Coutinho, hoje no PT, a responsabilidade por ter rachado o partido e forçado a saída de Azevêdo. O bônus com o retorno, para o grupo do governador, é evitar um palanque único de Lula, na Paraíba, trabalhado por petistas do Estado para o senador Veneziano Vital do Rêgo.

A perspectiva de saída do Cidadania foi construída apesar das articulações para que fossem priorizadas as candidaturas ao governo nos Estados. O PSDB tem pré-candidato ao Executivo lançado na Paraíba, no caso do deputado federal Pedro Cunha Lima. Como tem mais força política e perspectiva de vitória maior, por já ser governador, João Azevêdo teria condições de solapar o comando do agrupamento político. Mas isso teria um preço político alto, já que o clã Cunha Lima bateria em retirada, esvaziando a sigla tucana. Não há dúvidas de que ele levaria consigo grande parte dos prefeitos tucanos.

Quando o staff do governador colocou as peças na mesa, viu que a vantagem de impor a retirada de Pedro Cunha Lima do partido traria pouca vantagem para o grupo. A confusão seria ainda maior daqui a dois anos, quando os grupos antagônicos nos municípios fossem obrigados a definir o comando para a disputa das eleições. O entendimento de lideranças próximas ao governador foi o de que eles herdariam uma massa falida ainda com a obrigação de carregar eleitoralmente João Dória nas eleições para a Presidência, o que o governador não tem a intenção de fazer.

A definição sobre o destino de João deve sair nesta semana. O PSD na Paraíba se tornou uma rota cada vez mais difícil de ser seguida. A bola da vez está com o PSB, hoje comandado pelo deputado federal Gervásio Maia, que vem adotando postura discreta na política estadual desde o rompimento com Ricardo Coutinho. A definição deve sair ainda nesta semana.

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