Executivo
A triste partida de Walter Galvão deixa nosso jornalismo um pouco mais pobre
07/07/2021 12:15
Suetoni Souto Maior
Walter Galvão morreu vítima de um câncer. Foto: Divulgação

Ao longo dos meus vinte e poucos anos de jornalismo, tenho visto, com tristeza, algumas das minhas principais referências profissionais partirem deste para o plano superior. Há três anos foi Nelma Figueiredo, com quem eu trabalhava na CBN. Neste ano, Eduardo Carneiro, com quem eu trabalhava na Câmara de João Pessoa. Agora, o amigo Walter Galvão, com quem eu nunca tive o prazer de trabalhar, mas que nunca me faltou com respostas e atenção quando atuava como secretário de estado ou prefeitura.

Galvão ocupou lugar de destaque entre os melhores do nosso jornalismo. E não apenas pelo talento, que ele tinha de sobra, mas também pela forma afável e educada com que tratava a todos. Lembro de uma vez que escrevi um texto sobre entrevista que fiz com ele. Na época, como secretário da Prefeitura de João Pessoa, agradeceu pela experiência de, naquele momento, se ver como entrevistado e não como entrevistador. Parece esquisito, mas você compreende quando passa a ocupar cargos no serviço público e deixa de ser o jornalista do outro lado da linha.

Walter Galvão morreu vítima de um câncer no momento em que perdemos tanta gente para a Covid-19. Foram divulgadas notas de pesar pelo governador João Azevêdo (Cidadania), pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (Progressitas), e pelos presidentes da Câmara de João Pessoa, Dinho Dowsley (Avante), e da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB). Todos, nas mensagens, ressaltaram a contribuição do jornalista para o serviço público, bem como para a comunicação paraibana. Ele atualmente ocupava o cargo de presidente da Fundação Espaço Cultural.

A partida do colega, portanto, entristece, mas serve também para mostrar aos mais novos a necessidade do exemplo. Mostra que o jornalismo não pode ser encarado apenas como espaço para a busca de manchetes e projeção pessoal. É preciso ter humanismo e senso de responsabilidade social. Galvão, além de genial nas suas colocações e da formação refinada, tinha ciência de tudo isso.

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