Executivo
A hora de os bombeiros entrarem em campo na base aliada de João Azevêdo
10/08/2025 10:04

Suetoni Souto Maior

"No more": Cícero Lucena e Lucas Ribeiro durante uma das reuniões do Orçamento Democrático. Foto: Divulgação

O mês de agosto tem sido pródigo, na política paraibana, em acontecimentos capazes de definir seus rumos. Um deles é o clima de rompimento deflagrado na base governista, vívido desde a semana passada. Mas é importante observar, dando dois passos atrás, que ele favorece mais a oposição que o grupo liderado pelo governador João Azevêdo (PSB). O motivo é bem simples: para quem está com a caneta, antecipação de eleição nunca é bom, porque encurta o mandato. E todos sabem disso.

A antecipação do clima eleitoral é visível há meses, mas ganhou impulso maior com o movimento do senador Efraim Filho (União Brasil) rumo ao bolsonarismo. Isso rachou a oposição, que antes tinha movimentação tímida, mas sinalizava unidade. Quando o parlamentar fez o movimento em direção à extrema-direita, deixou pelo caminho o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tem ojeriza ao palaque bolsonarista, e Pedro Cunha Lima (PSD), com sua desejada fama de isentão.

Esse movimento parece ter repercutido na base governista também, onde a disputa interna entre o prefeito Cícero Lucena e o vice-governador Lucas Ribeiro, ambos do PP, ocorria com certa elegância de lado a lado. Cenário que mudou com as cobranças do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), tio de Lucas, por uma definição rápida. O parlamentar corre contra o tempo por dois cenários: ver o sobrinho anunciado candidato e conquistar o comando da federação PP/União Brasil, na Paraíba.

A batalha é travada por Aguinaldo com Efraim Filho, que tentam convencer o comando nacional da Federação União Progressita sobre suas chances eleitorais. O cálculo é que se Lucas tiver o nome confirmado para a disputa pela base governista, terá o comando do grupo e poderá enxotar Efraim para o PL. O problema disso, para a base governista, é que o movimento também manda para fora da base governista, de forma precoce, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.

O gestor tinha agenda conjunta com Lucas prevista para sexta-feira (8), em Campina Grande. O vice-governador comandaria a Plenária do Orçamento Participativo na cidade, depois de participar de entregas do governo em substituição a João. O script incluía um papel secundário para o prefeito de João Pessoa. Ele passaria, cumprimentaria as lideranças e iria embora para uma segunda agenda do dia, assistir a um curta em homenagem a Ronaldo Cunha Lima, já falecido, de quem foi vice-governador.

Informações de bastidores de que poderia ser vaiado no evento levou o gestor, segundo o apurado pelo blog, para a segunda agenda, onde estavam ícones da oposição não bolsonarista. Daí para fotos com o senador Veneziano Vital do Rêgo e com o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSD) foi só um pulo. O passo seguinte a tudo pode ser panos mornos para abrandar a fervura ou lenha na fogueira. A segunda opção, para a base governista, não parece a melhor opção, ao menos por ora.

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