Legislativo
Veneziano acusa Bolsonaro de intimidar brasileiros com ameaças à democracia
19/03/2021 13:51
Suetoni Souto Maior
Veneziano Vital do Rêgo diz que os brasileiros não vão tolerar atentado contra a democracia. Foto: Nelson Sebastian/Senado

O senador paraibano Veneziano Vital do Rêgo (MDB) acusou nesta sexta-feira (19) o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fazer ameaças contra a democracia. Em vídeo gravado, o primeiro vice-presidente do Senado reagiu a declarações do gestor ditas a apoiadores na saída do Palácio do Planalto. O mandatário insinuou que poderá decretar estado de sítio para impedir que os governadores adotem medidas restritivas voltadas para evitar o alastramento da Covid-19.

“Eu tenho mantido todos os ministros informados do que está acontecendo. E ainda culpam a mim, como se eu fosse um insensível no tocante às mortes. A fome também mata. A depressão tem causado muitos suicídios no Brasil. Onde é que nós vamos parar? Será que o governo federal vai ter que tomar uma decisão antes que isso aconteça? Será que a população está preparada para uma ação do governo federal no tocante a isso?”, questionou o presidente.

As declarações foram repudiadas por Veneziano Vital, que é aliado do governador João Azevêdo (Cidadania). “Como se não bastassem as mais de 2.800 mortes diárias, como se não bastassem os caos instalados por falta de oxigênios. Como se não bastassem as expectativas de que daqui a uns dias não termos mais insumos, não termos mais medicamentos, até mesmo para intubar pacientes. O presidente insiste no mesmo roteiro, de fazer insunuações, de querer intimidar com discursos que são discursos que nós não deixaremos, muito menos aquilo que ele pretende instalar, realidades outras num país que é democrático”, ressaltou.

A reação do senador ocorre no mesmo dia em que vários outros parlamentares ironizaram o risco de um estado de sítio. O ex-deputado federal e ex-ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, também fez críticas ao presidente. Ele lembrou que o gestor não tem poder para determinar estado de sítio. Isso porque a última palavra neste caso é sempre do Congresso Nacional. Isso seria um empecilho para o gestor, já que dificilmente ele conseguiria convencer os congressistas.

Para justificar sua ação, Bolsonaro alegou que está pensando na liberdade dos brasileiros. “É para dar liberdade para o povo. É para dar o direito ao povo trabalhar. Não é ditadura não. Temos uns hipócritas aí falando de ditadura o tempo todo, uns imbecis. Agora o terreno fértil para a ditadura é exatamente a miséria, a fome, a pobreza”, complementou. “O povo não tem nem pé de galinha para comer mais. Agora, o que eu tenho falado, o caos vem aí. A fome vai tirar o pessoal de casa. Vamos ter problemas que nunca esperávamos”, acrescentou.

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