Executivo
União das oposições pregada por Nilvan dificilmente ocorrerá no primeiro turno
22/12/2021 21:04
Suetoni Souto Maior
Nilvan Ferreira buscou alinhamento com Wallber Virgolino para a disputa. Foto: Divulgação

O comunicador Nilvan Ferreira (PTB) oficializou nesta quarta-feira (22) a primeira dobradinha visando as eleições do ano que vem: uma composição com o Patriota, do deputado estadual Wallber Virgolino. Os dois disputaram a prefeitura de João Pessoa no ano passado e foram derrotados por Cícero Lucena (PP), aliado do governador João Azevêdo (Cidadania). O objetivo agora é “tomar” o Palácio da Redenção. E se a primeira missão era difícil, a atual é ainda mais audaciosa. Por isso, o petebista pregou com muita resiliência a necessidade de união das oposições. O alinhamento, no entanto, é bem difícil de acontecer.

O campo de oposição, historicamente, é bem árido e de difícil aquisição de aliados. Essa composição é ainda mais complicada quando não há convergência ideológica. Os nomes lançados até agora para a disputa militam em campos antagônicos. Alguns em menor e outros em maior medida. Nilvan vai para a disputa no ano que vem com o objetivo claro de oferecer palanque ao presidente Jair Bolsonaro (PL). De pronto, poderá atrair para o entorno o partido do presidente. Mas terá dificuldade de estabelecer uma convivência larga com Pedro Cunha Lima (PSDB), que pretende dar à postulação dele um discurso de centro.

Nilvan tende a trazer para o lado dele o deputado Cabo Gilberto, que deve trocar o PSL pelo PL de Bolsonaro. Ambos trabalham com a bandeira da direita conservadora e não faria sentido duas candidaturas saírem da mesma trincheira. O diálogo, por outro lado, não tem como prosperar em direção ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) nem com o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT). Estes dois últimos por questões óbvias. Mesmo que efetivem candidaturas contra o governador, militam no campo do centro à esquerda. Estão no lado oposto ao pretendido por Nilvan.

Uma união de pelo menos parte da oposição ocorrerá apenas em um eventual segundo turno. Este é o cálculo feito por alguns dos candidatos. Em entrevistas, Nilvan aponta essa união como a única forma de evitar a reeleição de João Azevêdo. Já Cartaxo acredita que a pulverização de candidaturas favorece as oposições. Esse cálculo inclui na conta a possibilidade de fragmentação da base de apoio ao governador, hoje mais ampla do que o possível de sustentar. Mesmo assim, a vantagem de quem está no poder e com a caneta na mão é gigantesca.

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