Executivo
Transposição: Bolsonaro inicia périplo pelo Nordeste tentando se apropriar de marca atribuída ao petismo
08/02/2022 08:46
Suetoni Souto Maior
Jair Bolsonaro durante visita às obras da transposição em Sertânia, Pernambuco. Foto: Divulgação/PR

O presidente Jair Bolsonaro (PL) inicia nesta terça-feira (8) um périplo por estados nordestinos. Em dois dias, ele visita Pernambuco, Ceará, Paraíba (em rápida passagem) e Rio Grande do Norte em busca, principalmente, de uma identificação maior com a conclusão das obras da transposição. A região é o principal reduto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é virtual candidato a presidente e o principal adversário de Bolsonaro. A visita do gestor à região, portanto, tem o objetivo de buscar a apropriação das marcas atribuídas ao petismo nos estados nordestinos.

A transposição, em relação ao Nordeste, é a principal delas. O presidente tem investido na máxima de que mais importante que estar anunciando obras é fazer as entregas do que não foi concluído pelos antecessores. Ele critica os petistas Lula e Dilma Rousseff por não terem entregue as obras que visam o abastecimento de 12 milhões de pessoas de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. De volta, é acusado pelos adversários de não ter legado próprio na região. Os críticos dizem, também, que o presidente recebeu a transposição 90% concluída e que, três anos depois, ela não foi entregue em sua totalidade.

A agenda do presidente apresenta cinco agendas na região entre esta terça e esta quarta-feira. Nela, a Paraíba foi incluída de última hora, com uma visita a uma estação elevatória em São José de Piranhas, no Sertão. Antes disso, nesta terça, Bolsonaro vai a Salgueiro, no Sertão pernambucano, fazer o acionamento das bombas de uma estação do eixo norte da transposição do rio São Francisco. Em seguida, vai à barragem de Jati, no interior do Ceará, para a retomada da liberação das águas para o cinturão das águas do estado. A agenda seguida é a da Paraíba, prevista para as 14h.

Bolsonaro deve pernoitar em Caicó, no Sertão do Rio Grande do Norte. Na quarta de manhã, sairá em direção a Jucurutu, na mesma região, para visita à barragem de Oiticica e assinará ordem de serviço para construção da segunda etapa de pavimentação no município. Ainda no estado potiguar, Bolsonaro participa da chegada das águas do rio São Francisco ao Rio Grande do Norte, em Jardim de Piranhas. As informações dão conta de que, durante esta viagem, o presidente deve participar até de uma jeguiata, em um contraponto às motociatas realizadas pelo Brasil.

A dificuldade de associação às obras da transposição, enfrentada pelo presidente, se deve à história do empreendimento, que foi gestado e teve a maior parte da sua execução durante os governos petistas. Trechos da obra foram entregues primeiro por Dilma Rousseff e depois pelo sucessor, Michel Temer (MDB). Foi no governo do emedebista, inclusive, que o trecho principal da obra na Paraíba foi entregue e salvou Campina Grande do colapso absoluto, em março de 2017. Bolsonaro, por isso, na Paraíba, tem pego apenas a “rebarba”, com entrega de obras complementares.

As obras foram iniciadas em 2007, no governo do ex-presidente Lula, com orçamento estimado de R$ 4,5 bilhões. A conclusão estava prevista para 2012, mas o emprendimento sofreu constantes atrasos e se tornou mais caro. A estimativa é que ela seja finalizada com orçamento global de R$ 12 bilhões. Isso também muito em decorrência do ingrediente inflacionário. Ao todo, são 477 km de canais de água. O presidente assumiu o governo em 2019 com a obra 90% concluída e passados três anos, ela não foi entregue na sua totalidade.

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