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Trabalho de fortalecimento de jovens indígenas Potiguara recebe Prêmio Elo Cidadão
25/07/2025 15:06

Suetoni Souto Maior

Práticas ancestrais são discutidas durante as atividades dos alunos. Foto: Divulgação/Anama

O trabalho de fortalecimento das juventudes e lideranças indígenas do povo potiguara acaba de receber um reconhecimento de peso. O Curso Anama 2024: Fortalecendo lideranças e juventudes no território Potiguara foi eleito entre os melhores projetos de extensão da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e vai levar o Prêmio Elo Cidadão.

A entrega da premiação está marcada para 1º de agosto, no auditório Paulo Freire, na unidade da UFPB, em Mamanguape, a partir das 9h. O prêmio destaca uma iniciativa que vem ganhando cada vez mais relevância, dentro e fora das aldeias, ao promover a valorização e transmissão dos saberes tradicionais Potiguara.

Da aldeia para a universidade
A semente do Anama — palavra que significa família em Tupi Potiguara — foi plantada em 2021, quando lideranças indígenas procuraram o Campus IV da UFPB, em Rio Tinto, em busca de apoio para um projeto voltado ao fortalecimento político e social da juventude Potiguara.

Com o diálogo entre a comunidade e os docentes, a primeira edição saiu do papel em 2022. Desde então, o curso se reinventa a cada ano, sempre com protagonismo indígena na coordenação e uma agenda construída coletivamente, abordando temas que reforçam a identidade cultural e as pautas prioritárias do povo.

Escola viva
O Anama acontece aos sábados, de forma itinerante nas aldeias Potiguara, reunindo cerca de 70 participantes. Mais que um curso, o projeto funciona como escola viva, unindo os saberes dos anciões às demandas atuais, passando por questões ambientais, rituais, audiovisual, gênero, arte e desafios sociais.

A proposta vem formando novos coletivos, capacitando jovens para projetos e ampliando a participação deles nos espaços de decisão política, sempre com respeito à autonomia da comunidade.

Reconhecimento que inspira
O Prêmio Elo Cidadão coroa um esforço que hoje é referência também para outros povos indígenas e movimentos sociais. A experiência mostra como a universidade pode ser um espaço de diálogo real com a sociedade, valorizando culturas e práticas que, por séculos, foram invisibilizadas. Quem quiser conhecer mais sobre o projeto pode acompanhar o perfil oficial no Instagram: @anama.potiguara.

Por Kelly Oliveira, professora do Campus IV da UFPB

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