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	<title>atos antiemocráticos &#8211; Blog do Suetoni</title>
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		<title>CPI dos atos antidemocráticos e a estratégia governista para controlar as narrativas: não conseguirá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Suetoni Souto Maior]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Apr 2023 13:38:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Legislativo]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Todos assistimos à invasão e quebra-quebra nas sedes dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) no dia 8 de janeiro. Era, indubitavelmente, uma tentativa de golpe para solapar um governante legitimamente eleito. Parlamentares de oposição vibraram, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também. Os governistas assistiram a tudo incrédulos. Era evidente a existência de um plano e até ali não se sabia se as Forças Armadas entrariam na onda. Não entrou, apesar das evidências sobre a participação de muitos deles, principalmente inativos. A &#8220;rebelião&#8221; foi contida e, a partir daí, partiu-se em busca dos culpados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este roteiro, exposto de forma resumida, todo mundo conhece. Foram mais de 1,5 mil presos por determinação do Supremo. O recheio, porém, vem sendo construído através de narrativas pouco críveis que apontam armação para incriminar os patriotas. Evidências aqui e ali são apontadas. A última com uma suposta conivência do general Gonçalves Dias com os golpistas. Ele era o chefe do aparelhado GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Vídeos até esta semana mantidos em sigilo mostram o militar conduzindo pacificamente vândalos do terceiro para o segundo andar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O argumento dele é o de que conduziu os manifestantes para uma armadilha, já que eles seriam presos no segundo andar. Essa é uma narrativa que pode ou não ser verdadeira. As imagens não são capazes de mostrar intenção, mas dão margem para que se acredite em conivência. E o general sendo próximo ao presidente Lula (PT) complica não apenas a vida dele. Dá margem à narrativa do lado que até agora estava nas cordas, o dos aliados de Bolsonaro, este último apontado como suspeito de participação nos atos e ainda respondendo por suposta tentativa de apropriação de joias que deveriam ter sido entregues ao patrimônio nacional. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os atos antidemocráticos, antes defendida apenas pela oposição, passou a ser defendida também pelos governistas. Motivo: apesar de as CPIs serem repelidas comumente pelos governos, esta não tem mais como ser contida. Se alguém perguntar quem tem maiores motivos para temer as investigações, a resposta será inequívoca: os apoiadores do ex-presidente. E por que eles defendem a CPMI? A resposta é simples: o que é uma mancha na roupa para quem já está afundado na lama? Pensando assim, tudo o que for imputado ao adversário é lucro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da parte governista, o risco, até agora, é serem escancaradas possíveis omissões e incompetências. A CPMI, por isso, surge como oportunidade para a oposição para sair das cordas e alimentar a pouco verossímil suspeita de que o quebra-quebra foi promovido a mando dos petistas. Essa tese ignora a informação de que todos os vândalos presos até agora, bem como os seus financiadores, têm DNA bolsonarista. Tem ainda a incômoda situação do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, que está preso e foi encontrada com ele uma minuta golpista, voltada para impedir a posse do presidente Lula. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Tem ainda os suspeitos de tentar explodir um caminhão-tanque carregado de combustíveis no fim do ano passado, o quebra-quebra no 12 de dezembro, dia da diplomação&#8230; E o mais grave: todos agiram diante da omissão das forças Forças Armadas, da Polícia Militar do Distrito Federal e de Gabinete de Segurança Institucional (GSI), este último extremamente aparelhado durante a gestão do general Augusto Heleno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que restou aos governistas, agora, foi bancar uma articulação forte para tentar tomar o controle da CPMI. Ou, pelo menos, evitar que um bolsonarista ocupe a relatoria ou a presidência da comissão. Eles confrontarão um grupo que já demonstrou força na hora de tumultuar o debate em audiências recentes em que tiveram à frente o ministro da Justiça, Flávio Dino. Apesar de terem sido amassados discursivamente pelo ex-juiz federal e governador do Maranhão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O movimento recente de tentativa de apropriação da CPMI, por parte da ala governista, está sendo capitaneado pelo deputado federal paraibano Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele fala em buscar o comando da relatoria e da presidência do colegiado, o que não será uma tarefa fácil e nem barata. O PL do ex-presidente tem o maior número de deputados e terá presença garantida na comissão. Mesmo assim, o governo tem condições de botar mais bala na agulha, caso a articulação seja bem-feita. Um vacilo neste momento pode trazer desgastes como o vivido por Bolsonaro no governo passado, com a CPI da Pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inspirado naquele momento, Lindberg fala em trazer para o ringue os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), estrelas da antiga CPI. Quer trazer da Câmara André Janones (Avante-MG). Eles terão a missão de tentar anular a onfensiva desenhada por estrelas da oposição como o senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O primeiro, analógico, é sabedor dos caminhos para fazer muito barulho. O segundo, digital e afeito às novas ferramentas de reverberação de informação, tem potencial de provocar estardalhaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em hipótese alguma haverá, por parte da base governista, como conter danos. Basta lembrar que uma CPMI tem capacidade de travar votações no Congresso, justamente quando o governo precisa votar o arcabouço fiscal e a reforma tributária. Além disso, tentará levar Lula para o centro de um debate que só interessa à oposição. Os governistas trabalham com a tese de que estão tentando criminalizar a vítima. Isso, pelo que temos de evidência até agora, está ancorado nos fatos. O problema é que CPMI a gente só sabe como começa&#8230;</p>



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